Governo provisório do Afeganistão toma posse amanhã

O governo provisório do Afeganistão, liderado pelo senhor da guerra pashtun Hamid Karzai, toma posse amanhã para um mandato de seis meses e a missão de pacificar o país e prepará-lo para a normalização institucional. Karzai receberá os símbolos do poder das mãos do presidente afegão deposto pelo regime Taleban em 1996, Burhanuddin Rabbani.Num sinal de que reconhece plenamente o governo interino, o presidente norte-americano, George W. Bush, enviou hoje um convite para que Karzai o visite em Washington na primeira semana de janeiro. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, fez o mesmo convite ao ministro de Relações Exteriores do gabinete de Karzai, Abdullah Abdullah.Os Estados Unidos estarão representados na cerimônia de posse por seu enviado diplomático ao Afeganistão, James Dobbins, pela nova encarregada de negócios em Cabul, Jeanine Jackson, e pelo comandante da operação militar Liberdade Duradoura, general Tommy Franks.O governo provisório do Afeganistão foi nomeado no dia 5, com base num acordo firmado em Bonn, Alemanha, por representantes das principais facções políticas e étnicas do país.O gabinete, que é integrado por duas mulheres, obedece à proporção das etnias afegãs. Os pashtuns, grupo majoritário, estarão representados - além do posto de Karzai - por 11 membros no novo governo. Os tajiques preencherão oito postos; os hazaras cinco; e os usbeques, três.Pelo acordo, que recebeu o aval da ONU, as decisões do novo governo devem ser tomadas por consenso ou - no caso de não haver concordância de todos os membros - pelo voto da maioria dos presentes.O atual governo será substituído em junho por outro, designado pela Loya Jirga (conselho de notáveis), que administrará o país por um período de um ano e meio e terá como principal missão preparar eleições democráticas.Foi denominado "governo interino" o gabinete que toma posse amanhã. O próximo governo ficou definido, segundo o acordo de Bonn, como "de transição". O ex-rei afegão Zahir Shah é o encarregado de presidir a Loya Jirga.Um dos pontos mais polêmicos do acordo diz respeito à presença de uma "força internacional de segurança" no Afeganistão. O ministro da Defesa do gabinete de Karzai, Mohamed Kassim Fahim, qualificou o papel dessa força de "simbólica", desautorizando-a a empreender operações de vigilância ou efetuar detenções.Mesmo assim, um primeiro contigente de fuzileiros britânicos já está em Cabul para ajudar na segurança da cerimônia de posse. A força deve ser integrada por entre 3.000 e 5.000 homens. Dez países ofereceram militares.Leia o especial

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