Sputnik/Evgeny Paulin/Kremlin via REUTERS
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Governo Putin assume controle de empresa de internet responsável por 'Facebook russo'

A Vkontakte, principal rede social da Rússia, pertence agora à gigante empresa estatal de gás Gazprom, controlada por aliados de Putin

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 19h16

MOSCOU - O governo da Rússia expandiu sua influência na internet ao comprar participações no importante grupo de internet VK (Vkontakte). Grande parte das ações da empresa foram vendidas para a seguradora estatal Sogaz, que é controlada em parte por um antigo aliado do presidente Vladimir Putin.

Em um comunicado nesta quinta-feira, 2, a holding USM, do bilionário russo Alisher Usmanov, disse que vendeu 57,3% de suas ações com direito a voto da VK por uma quantia não revelada.

Os serviços da empresa incluem as redes sociais Odnoklassniki e Vkontakte, esta última frequentemente apontada como a resposta da Rússia ao Facebook. Além de outras marcas online, como serviços de entrega de alimentos Delivery Club e Samokat.

A consolidação estatal do poder de decisão na segunda maior empresa de internet da Rússia pode pressagiar uma maior interferência do governo no setor, disse um analista de internet.

A USM disse que deseja se concentrar mais em outras empresas de seu portfólio, incluindo em setores como telecomunicações e metais e mineração.

Acionistas são aliados de Putin

Os acionistas da Sogaz, fundada pela gigante do gás Gazprom, incluem o banqueiro Yuri Kovalchuk, a quem Putin chamou publicamente de amigo pessoal. Alexei Miller, CEO da Gazprom, é presidente do conselho da Sogaz.

Em 27 de outubro, Kovalchuk e sua esposa controlavam cerca de metade das ações da empresa Aquila, que detém 32,3% da Sogaz. "A transação é realizada em termos de mercado", disse Alexei Miller em um comunicado. Após a compra, Boris Dobrodeev disse nesta sexta-feira, 1, que estava deixando o cargo de CEO da VK.

Moscou reprimiu empresas de tecnologia neste ano com multas relacionadas a conteúdo proibido e dados de usuários russos, em particular empresas de mídia social estrangeiras, uma campanha que os críticos caracterizam como uma tentativa das autoridades russas de exercer um controle mais rígido sobre a internet.

O analista de Internet Pavel Klimarev escreveu em seu canal do Telegram, ZaTelekom, que as mudanças dariam à Gazprom Media e, consequentemente, ao Estado russo, mais controle sobre o panorama da mídia. Ele previu que mais pressão seria exercida sobre as empresas de internet independentes da Rússia, como a Yandex, bem como sobre o YouTube da Alphabet Inc.

O diário RBC relatou, citando quatro fontes, que Vladimir Kiriyenko, primeiro vice-presidente da estatal Rostelecom e filho do primeiro vice-chefe de gabinete de Putin, Sergei Kiriyenko, seria o novo CEO da VK. /REUTERS

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