Governo quer aumentar gastos militares na Colômbia

O governo pedirá esta semana a autorização do Congresso para aumentar os gastos militares a fim de fortalecer o esforço bélico destinado a pressionar por uma solução política para o longo conflito interno na Colômbia. O orçamento adicional pleiteado é de valor equivalente a US$ 393 milhões, destinados a despesas de manutenção e investimento em equipamentos militares, além do pagamento de oficiais e soldados profissionais. O orçamento militar para este ano havia sido calculado em US$ 2 milhões - quantia insuficiente para fazer frente não apenas à luta contra a guerrilha esquerdista, mas também contra os paramilitares de direita, o narcotráfico e a delinqüência comum. "Este orçamento adicional vai dar o tiro de misericórdia na economia", disse nesta quarta-feira o congressista independente Gustavo Petro, membro da Comissão de Orçamento da Câmara de Representantes, que começará a analisar o projeto na próxima semana. "Estamos trabalhando em uma economia de guerra e o pouco dinheiro que existe vai para armamentos", acrescentou Petro, ao alertar que enquanto não há dinheiro para atender às necessidades de saúde, educação e para investimentos, fala-se em aumentar os gastos militares. O congressista disse que as guerrilhas e os paramilitares também estão arrancando da população - à custa de ameaças de seqüestro ou extorsão - grande quantidade de dinheiro para alimentar seu aparato militar.Por sua vez, dirigentes de sindicatos patronais manifestaram seu apoio ao aumento dos gastos militares, agora que as Forças Armadas estão dando combate efetivo aos grupos armados, o que poderia acelerar o fim dos conflitos que castigam a Colômbia há 37 anos. "O apoio à força pública é necessário para se chegar à negociação política", afirmou Sabas Pretelt de la Vega, presidente da Associação Comercial, ao jornal El Tiempo. Segundo o informe de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, a Colômbia foi o segundo país que mais gastou com armamentos na América Latina em 2000, dispendendo para isto 2,5% de seu PIB. O primeiro lugar coube ao Chile, que gastou 3,1% do PIB em material bélico.

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