Governo recupera terras para reforma agrária no Paraguai

Como parte de um novo plano de reforma agrária, uma agência governamental confirmou hoje que recuperou 380 hectares de terras para uso em reforma agrária que estavam irregularmente em poder de um fazendeiro paraguaio e de um colono brasileiro. Os terrenos serão distribuídos para agricultores sem-terra. Apesar disso, um grupo de colonos brasileiros pediu ajuda ao consulado do País em Ciudad del Este, 320 quilômetros a leste da capital, sob alegação de que suas fazendas de soja estão ameaçadas de invasão pelos sem-terra.Héctor Cristaldo, presidente da União de Grêmios da Produção, assegurou que "faz um mês os colegas do Alto Paraná não podem colher 80 mil hectares de soja, porque os campesinos proíbem que os operadores de tratores realizem seu trabalho". Alberto Alderete, diretor do estatal Instituto de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert), disse ontem que "pela via administrativa recuperamos 280 hectares no distrito Corpus Christi, departamento de Kanindeyú (600 quilômetros a nordeste de Assunção)".A fazenda, dedicada ao cultivo da soja, era de propriedade do paraguaio Alcides González, segundo Alderete. O diretor do Indert afirmou que González adquiriu um lote agrícola (10 hectares) de um campesino beneficiado pela reforma agrária. "Esse negócio foi ilegal", sustentou. Alderete também afirmou que outra propriedade, de 100 hectares, foi retomada de um colono brasileiro cuja identidade não soube precisar, no distrito Puente Kyjhá, em Kanindeyú. "Os estrangeiros que obtiveram a titulação de suas propriedades antes de 29 de dezembro de 2004 não serão desalojados", ressaltou.Já no departamento (Estado) de San Pedro, 340 quilômetros ao norte, um grupo de 100 sem-terra invadiu hoje a fazenda do brasileiro Evandro Araújo, de 70 mil hectares, segundo o advogado Felino Amarilla. O advogado denunciou também a ocupação de sua própria fazenda, na mesma região. "No ano 2000 Araújo presenteou com 5 mil hectares outros campesinos que entraram em sua propriedade, mas agora querem tirar dele uma área similar", afirmou Amarilla.

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