Governo rejeita todo tipo de negociação com cartéis

Porta-voz do presidente mexicano critica editorial de jornal de Ciudad Juárez, que pediu 'trégua' aos traficantes

AP, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

CIDADE DO MÉXICO

O governo do presidente mexicano, Felipe Calderón, criticou qualquer setor da sociedade que esteja negociando com o crime organizado, responsabilizado pela morte de 28 mil pessoas nos últimos quatro anos. A posição oficial, comunicada por Alejandro Poiré, porta-voz da presidência, foi uma resposta ao editorial publicado pelo jornal El Diario, de Ciudad Juárez, que pediu uma "trégua" aos cartéis.

"Não cabe de modo nenhum, por parte de nenhum setor, pactuar, promover uma trégua ou negociar com criminosos, que são justamente os que provocam a angústia da população, os que sequestram, que intimidam e matam", disse Poiré.

Nos últimos dois anos, um jornalista e um fotógrafo do jornal foram mortos, crimes ligados ao exercício da profissão que permanecem impunes. No editorial, o Diario pede aos traficantes que parem de matar seus funcionários e determinem regras para o que pode ser publicado, já que eles seriam as "autoridades de facto" na cidade.

O texto, porém, tinha um objetivo: provocar o governo, acusado de omissão em relação à violência em Ciudad Juárez, na fronteira com os EUA. Só neste ano, 2 mil pessoas foram assassinadas na cidade de 1,3 milhão de habitantes. Segundo pesquisa do Observatório de Segurança e Convivência Cidadã, divulgada ontem, 20 mil casas foram abandonadas e 230 mil pessoas deixaram Ciudad Juárez nos últimos três anos.

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