Governo russo admite que mentiu sobre massacre

O governo russo admitiu que mentiu sobre a escala da crise dos reféns que terminou com a morte de mais de 350 pessoas (números oficiais), entre crianças, pais e professores da escola nº 1 de Beslan, na república russa da Ossétia do Norte, informou hoje o diário norte-americano The Washington Post. A declaração foi feita na televisão estatal depois de dias das críticas de cidadãos indignados com o desfecho da tomada da escola por um comando terrorista.Enquanto as famílias continuavam enterrando os mortos em Belsan a TV estatal Rossiya exibiu no domingo imagens horripilantes que não havia levado ao ar nos últimos dias e informou que altos funcionários do governo federal haviam deliberadamente enganado o mundo sobre o número de reféns na escola. As autoridades em Moscou diziam que havia 350 pessoas na escola, quando na realidade eram cerca de 1.200. "Em alguns momentos, a sociedade precisa saber da verdade", afirmou o âncora Serguei Brilyov. Segundo disse um consultor político do Kremlin, Gleb Pavlovski, na TV Rossiya, "as mentiras estavam enfraquecendo a Rússia e tornando os terroristas mais violentos."O programa não apresentou desculpa e apenas se referiu às mais óbvias informações erradas dadas pelos funcionários do governo: a alegação de que havia 354 pessoas na escola. Não reconheceu que os rebeldes exigiam o fim da guerra na Chechênia ou que o governo continua a dar informações contraditórias sobre quem eles eram, quantos foram mortos e fugiram. A TV estatal russa nunca menciona a guerra na Chechênia.Entre os aspectos mais controversos está o modo como começou o banho de sangue. O ex-presidente da Ingushétia Ruslan Aushev, um dos mediadores indicado pelo comando terrorista, confirmou a versão oficial de que o massacre foi precipitado por explosões no interior da escola, ocasião que dezenas de reféns aproveitaram para fugir. "Telefonamos para o comando terrorista e pedimos que parassem de disparar. Mas eles responderam que tinham parado e éramos nós que estávamos atirando. Havia uma terceira força, essas milícias populares, que deciriam libertar por si mesmas os reféns", observou Aushev referindo-se aos pais e outros parentes.

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