Governo se divide sobre reforço para o Afeganistão

Assessores de Obama divergem sobre tamanho ideal e a tropa mais adequada para as missões americanas

Peter Baker e Elisabeth Bumiller, THE NEW YORK TIMES, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Funcionários do governo dos EUA disseram na quinta-feira que o pedido do Exército por mais soldados no Afeganistão provocou uma divisão entre os principais assessores do presidente Barack Obama a respeito do tamanho ideal e da missão mais apropriada para as tropas americanas no país.

Mesmo antes de o principal comandante americano no Afeganistão enviar a proposta, representantes do governo deram início àquilo que um deles chamou de "debate saudável" sobre as prioridades do Exército, tentando determinar se um maior número de soldados ajudaria a cumpri-las.

O líder entre os céticos é o vice-presidente Joe Biden, que expressou reservas sobre o aumento da presença americana no Afeganistão. Biden argumenta que ela pode desviar a atenção do Exército de seu objetivo mais urgente: a estabilização do Paquistão.

No campo oposto está Richard Holbrooke, enviado especial dos EUA à região, que partilha da preocupação com o Paquistão, mas considera o aumento de tropas no Afeganistão vital para a proteção de civis afegãos e para derrotar o Taleban e a Al-Qaeda.

Internamente, a secretária de Estado, Hillary Clinton, defende o envio de mais soldados. Já o secretário de Defesa, Robert Gates, expressou preocupação com o fato de um número tão grande de soldados no Afeganistão conferir aos EUA a imagem de país ocupante. Mas, durante entrevista coletiva na quinta-feira, ele pareceu mais favorável ao envio de um efetivo maior. "É unânime a opinião de que nosso objetivo é a destruição da Al-Qaeda e a remoção definitiva dessa ameaça a nossa segurança nacional", disse David Axelrod, principal assessor de Obama. "É óbvio que há uma variedade de opiniões sobre qual seria o melhor modo de atingir esse objetivo. Ouvir os diferentes pontos de vista é importante e valioso."

O debate começou após a exposição, na segunda-feira, da nova análise estratégica do general Stanley McChrystal, comandante das forças dos EUA e da Otan no Afeganistão. Gates repassou o relatório de McChrystal a Obama, que o deve analisar no fim de semana.

Apesar de McChrystal não ter incluído propostas específicas , funcionários do governo esperam que ele envie nas próximas semanas um pedido separado. Estrategistas disseram que ele pode oferecer três opções. O menor reforço proposto, entre 10 mil e 15 mil soldados, seria descrito como opção de alto risco. Uma alternativa de risco médio envolveria o envio de 25 mil soldados, enquanto uma de baixo risco consistiria em somar 45 mil soldados ao efetivo americano no país.

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