AFP PHOTO / George OURFALIAN
AFP PHOTO / George OURFALIAN

Governo sírio anuncia que cessar-fogo em todo o país começará à meia-noite

Assinatura de acordo com rebeldes foi divulgada pela agência estatal de notícias 'Sana'; presidente russo, Vladimir Putin, aliado de Bashar Assad, e governo turco, que apoia os insurgentes, também confirmaram a trégua entre as partes

O Estado de S. Paulo

29 Dezembro 2016 | 10h00
Atualizado 29 Dezembro 2016 | 13h11

DAMASCO - O Comando Geral do Exército e as Forças Armadas da Síria anunciaram nesta quinta-feira, 29, um cessar-fogo em todo o território nacional a partir da meia-noite (19h em Brasília), informou a agência oficial "Sana". O cessar-fogo exclui o Estado Islâmico (EI) e Frente da Conquista do Levante (antiga Frente al-Nusra, braço sírio da Al-Qaeda), organizações consideradas terroristas, e os grupos vinculados a eles, segundo a agência.

O acordo entre o governo de Bashar Assad e a oposição armada tem como objetivo "preparar uma situação adequada para apoiar uma solução política para a crise na Síria", de acordo com o Comando Geral do Exército, que destacou as "recentes vitórias" conquistadas em territórios antes dominados pelos rebeldes.

A Coalização Nacional Síria (CNS), a principal formação de oposição no exílio, igualmente anunciou seu apoio ao cessar-fogo, segundo seu porta-voz Ahmad Ramadan. "A coalizão nacional apoia o acordo, e chama todas as partes a respeitá-lo", afirmou.

A trégua também foi confirmada simultaneamente pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin - principal aliado de Assad -, e pelo governo turco, que apoia os insurgentes. De acordo com Putin, ambas as partes se comprometem a "iniciar negociações de paz para a regulação" do conflito sírio.

"Foram assinados três documentos: o primeiro é entre o governo sírio e a oposição armada sobre o cessar-fogo para o conjunto do território sírio", declarou Putin, acrescentando que os outros se referem a negociações de paz. 

O ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, afirmou que Durante os últimos dois meses foram mantidas negociações com os líderes da oposição síria moderada com mediação turca. "Esses grupos controlam grande parte das regiões centrais da Síria que não estão subordinadas a Damasco", explicou Shoigu, que calculou o número de soldados desses grupos opositores em "mais de 60 mil".

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, garantiu que Arábia Saudita, Catar, Egito, Jordânia e Iraque serão convidados a fazer parte do acordo de paz na Síria. "E, com certeza, convidamos os representantes da ONU. Isso permitirá garantir a continuidade do processo político levando em conta os marcos estabelecidos na resolução 2254 aprovada pelo Conselho de Segurança", disse.

Lavrov adiantou que os documentos pactuados por Damasco e pela oposição síria serão apresentados diante do Conselho de Segurança. Sobre os EUA, o ministro russo disse acreditar que "quando o governo de Donald Trump assumir suas funções, também se somará a estes esforços para trabalhar de maneira coletiva e amistosa".

Além disso, Lavrov destacou que, uma vez estipulado o cessar-fogo, Rússia e Turquia prepararão a reunião em Astana, capital da Casaquistão, para impulsionar o processo de paz sírio.

Desde o início da guerra, em março de 2011, o conflito na Síria já matou mais de 310 mil pessoas e levou milhões de sírios ao exílio. / EFE, REUTERS e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.