Louai Beshara/AFP Photo
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Bombardeios do governo sírio impedem chegada de ajuda humanitária em Ghouta Oriental

Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que sua caravana teve de se retirar da região antes de descarregar as mercadorias quando a situação se agravou; ONU planeja enviar outro comboio ainda nesta terça-feira; Forças Armadas russas ofereceram passagem segura para rebeldes deixarem local

O Estado de S.Paulo

06 Março 2018 | 05h59
Atualizado 06 Março 2018 | 13h08

BEIRUTE - O primeiro comboio de ajuda humanitária que chegava à região de Ghouta Oriental não conseguiu terminar sua missão em razão dos bombardeios das forças do governo sírio, afirmou um conselho local nesta terça-feira, 6.

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O carregamento era o primeiro a entrar na região após semanas de ataques, em meio a uma ofensiva do governo que já deixou centenas de mortos desde o dia 18.

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O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) confirmou que sua caravana junto à das Nações Unidas teve de se retirar da área antes de descarregar as mercadorias quando a situação se agravou.

A maior parte da ajuda levada por 46 caminhões seria entregue em Duma, em Ghouta Oriental, indicou o porta-voz da CICV, Ingy Sedky. Contudo, a missão terminou antes que se pudesse descarregar os suprimentos.

Nove caminhões tiveram de abandonar a área quando os bombardeios do governo se intensificaram à tarde, explicou Iyad Abdelaziz, membro do Conselho Local de Duma. Ao menos 50 civis morreram na segunda-feira em Ghouta Oriental.

O governo sírio, respaldado pelo Exército russo, não parece diminuir sua ofensiva sobre a castigada região, mesmo com a resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada no dia 25 que exigia um cessar-fogo de 30 dias.

O comboio que chegou a Duma levava apenas uma fração da ajuda necessária para as aproximadamente 400 mil pessoas presas pelos bombardeios do governo. Ele transportava alimentos para 27,5 mil pessoas, segundo as Nações Unidas.

A organização afirmou que o governo sírio obrigou a descarregar 70% dos suprimentos médicos, incluindo equipamentos de cirurgia e insulina, antes de permitir que a comitiva entrasse em Ghouta Oriental.

A ONU disse ainda que planeja enviar outro comboio de ajuda humanitária à região ainda nesta terça-feira. “Depois de quase nove horas, a decisão de deixar o local foi tomada por razões de segurança”, disse Jens Laerke, do escritório de coordenação de assuntos humanitários das Nações Unidas.

Rússia

As Forças Armadas russas ofereceram a rebeldes sírios uma passagem segura para deixar a região de Ghouta Oriental, delineando um acordo sob o qual a oposição entregaria seu último grande reduto perto de Damasco ao presidente da Síria, Bashar Assad.

O Ministério de Defesa da Rússia disse que os rebeldes podem deixar a região - onde forças do governo apoiadas por Moscou estão avançando rapidamente por meio de ataques violentos - com suas famílias e armas pessoais através de um corredor seguro.

A proposta russa não especificou para onde os rebeldes iriam, mas os termos se assemelham a acordos anteriores, sob os quais os insurgentes cederam terreno a Assad e receberam passagem segura para outros territórios controlados pela oposição perto da fronteira com a Turquia.

“O Centro de Reconciliação Russo garante a imunidade de todos os combatentes rebeldes que tomarem a decisão de deixar Ghouta Oriental com armas pessoais e junto a suas famílias”, disse o Ministério da Defesa em um comunicado. / AP e REUTERS

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