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Governo sírio diz ter retomado controle de Alepo

Exército de Bashar Assad anunciou ter recuperado totalmente a cidade das mãos dos rebeldes, conquistando sua maior vitória na guerra

O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2016 | 19h44

ALEPO - O regime sírio afirmou ter retomado nesta quinta-feira, 22, o controle total de Alepo, a segunda maior cidade do país, conquistando sua maior vitória frente aos rebeldes desde o início da guerra, em 2011.

O Exército disse ter levado "segurança" de volta a Alepo, encerrando quatro anos de resistência em partes da cidade do norte da Síria. "Graças ao sangue dos nossos mártires e aos sacrifícios das nossas valorosas forças armadas, assim como das forças auxiliares e aliadas, o Estado-maior das Forças Armadas anuncia o retorno da segurança a Alepo, após sua libertação do terrorismo e dos terroristas e da saída daqueles que ali permaneciam", anunciou o Exército em um comunicado.

O último grupo de rebeldes e suas famílias escondidos em um pequeno enclave da cidade foram retirados nesta quinta-feira, sob um acordo. Pelo menos 34 mil pessoas, entre civis e combatentes, foram retiradas do leste de Alepo em uma operação de uma semana, dificultada pelo clima rigoroso do inverno, segundo os últimos números da Organização das Nações Unidas. 

Mas a ONU calcula que ainda restam milhares de pessoas. "O processo de retirada foi traumático, com aglomeração e pessoas vulneráveis esperando por horas e expostas a temperaturas abaixo de zero", disse o porta-voz da ONU Farhan Haq a repórteres em Nova York.

Os últimos retirados deixaram um minúsculo bastião que era tudo o que restava de um setor rebelde que englobava quase metade da cidade, antes de ser sitiada e atingida por intensos ataques aéreos que reduziram o local a escombros. À medida que os bombardeios aumentavam, os serviços de resgate e de saúde desmoronavam.

O enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, alertou que as pessoas que deixaram Alepo podem sofrer o mesmo destino em um novo local de refúgio fora da cidade. "Muitos deles foram para Idlib, que poderia ser, em teoria, a próxima Alepo", disse, acrescentando que a interrupção das hostilidades em toda a Síria é vital para que se evite outra batalha como a luta sangrenta de Alepo.

O presidente sírio, Bashar Assad, tem declarado que a guerra está longe de terminar e suas forças armadas marchariam em outras áreas mantidas pelos rebeldes. "Esta vitória representa uma guinada estratégica na guerra contra o terrorismo, reforça a capacidade do Exército sírio e seus aliados de vencer a batalha contra os grupos terroristas e estabelece as bases de uma nova fase para tirar o terrorismo de todo o território da República Árabe Síria", completou o texto do Exército. / AFP e REUTERS

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