AFP/ DENIS BALIBOUSE
AFP/ DENIS BALIBOUSE

Governo sírio e oposição aceitam criar comitê de especialista sobre Constituição

Este foi o primeiro resultado concreto dos diálogos de paz sobre a Síria que ocorrem em Genebra

O Estado de S.Paulo

18 Maio 2017 | 20h23

GENEBRA - A ONU anunciou, nesta quinta-feira (18), que representantes do governo e da oposição aceitaram formar um comitê de especialistas para discutir "questões institucionais", primeiro resultado concreto dos diálogos de paz sobre a Síria que ocorrem em Genebra esta semana.

A delegação de Damasco - dirigida pelo embaixador sírio nas Nações Unidas, Bashar Al-Jaafari - e a delegação da oposição - reunida no Alto Comitê de Negociações (ACN) - retomaram na terça-feira (16), no Palácio das Nações Unidas de Genebra, sede local da ONU, difíceis negociações para tentar pôr fim a seis anos de conflito.

Após cinco rodadas de diálogos sem sucesso desde fevereiro de 2016, a assessoria do enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, anunciou um resultado tangível nesta quinta: conversas de funcionários da ONU com especialistas do governo e com a oposição para tratar de "questões jurídicas e constitucionais relacionadas com os diálogos intersírios".

A futura Constituição é um dos quatro temas tratados no diálogo por De Mistura, juntamente com a luta contra o terrorismo, a governança (um termo vago para se referir a uma transição política) e a organização de eleições.

O chefe da delegação oficial síria destacou que sua equipe "ainda não tinha tratado de nenhum desses (quatro) temas".

Em declarações à imprensa, depois do anúncio da ONU, Jaafari limitou-se a confirmar que, na sexta-feira (19), ocorrerão "reuniões informais" entre membros de sua delegação e especialistas da ONU.

"O trabalho desses especialistas não terá nada a ver com a Constituição (...) Não tomarão decisões", insistiu.

O ACN também se reuniu com o mediador da ONU para falar sobre "a transição política e o marco constitucional", indicou seu porta-voz, Yehya Al-Aridi, à AFP.

A oposição reivindica a saída do presidente Bashar Assad antes da organização de eleições, o que é inaceitável para Damasco. / AFP

 

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