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Governo sírio e rebeldes se preparam batalha decisiva pelo controle de Alepo

Tanto as tropas que apoiam o presidente Bashar Assad quanto os grupos insurgentes que tentam tirá-lo do poder enviaram, nesta semana, recursos e combatentes ao front da segunda maior cidade do país para combate que pode ser determinante para o futuro da guerra que devasta o país

O Estado de S. Paulo

09 Agosto 2016 | 11h18

DAMASCO - O governo do presidente sírio, Bashar Assad, e os grupos rebeldes enviavam na segunda-feira, 8, importantes contingentes ao front de Alepo, segunda maior cidade do país, para uma batalha que pode ser determinante para a guerra que devasta o país.

No domingo, uma aliança de rebeldes e jihadistas anunciou o início da batalha para se apoderar da totalidade de Alepo, depois de ter aplicado um duro revés ao regime nesta cidade do norte do país. Os insurgentes romperam três semanas de cerco imposto pelo regime aos seus bairros no leste de Alepo, em uma contraofensiva que lhes permitiu cercar parcialmente os bairros do oeste, controlados pelo governo nesta cidade dividida desde 2012.

Esta vitória representa um dos poucos êxitos dos rebeldes nos últimos anos frente ao regime, em um conflito devastador e complexo que deixou mais de 290 mil mortos desde 2011 e obrigou milhares de pessoas a abandonar seus lares.

Diante da aviação de Damasco, do apoio dos ataques aéreos russos e dos combatentes iranianos e do Hezbollah libanês, os rebeldes apoiados por jihadistas utilizaram com êxito veículos carregados de explosivos e terroristas suicidas para abrir buracos no sistema de defesa do regime.

Segundo o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, tanto o regime quanto os rebeldes enviaram reforços a Alepo e aos seus arredores. "Dois mil combatentes pró-regime, sírios, iranianos, iraquianos e do Hezbollah libanês chegaram a Alepo através da rota de Castello, ao norte da cidade", procedentes do centro do país, disse. Um funcionário de segurança de alto escalão de Damasco confirmou a chegada de reforços.

"A guerra não se deterá". Os rebeldes, por sua vez, receberam reforços de combatentes uigures (muçulmanos) chineses, procedentes da província vizinha de Idleb e da campanha de Alepo, segundo o OSDH.

Os aviões sírios e russos continuaram, enquanto isso, bombardeando os bairros rebeldes e as posições dos insurgentes ao sul de Alepo, assim como na cidade de Idleb, reduto rebelde.

Os dois campos se preparam para a batalha, de grande importância para ambos, assim como para seus aliados no exterior. Rússia e Irã apoiam o regime, enquanto os ocidentais, Turquia e Arábia Saudita defendem os rebeldes.

"Não importa quem vencer, a guerra não se deterá. No entanto, é uma etapa importante cujo resultado orientará a trajetória do conflito", avalia Thomas Pierret, especialista em Síria. "Se os rebeldes vencerem, ocorrerá uma divisão do país, com o regime no Golã, Damasco, Homs e na costa", explica este professor da Universidade de Edimburgo.

"Se os leais (ao regime) ganharem, a insurreição recuará à província de Idleb, dominada por Ahrar al Sham e Fateh al Sham", acrescenta.

Reforçado por seu êxito em Alepo, "o Exército da Conquista", que reúne os grupos rebeldes islamitas, entre eles o potente Ahrar al-Sham e a Frente Fateh al-Sham (antiga Frente al-Nusra, que renunciou a sua lealdade à Al-Qaeda), anunciou "o início de uma nova fase para a libertação do conjunto de Alepo".

Esta coalizão também tomou no sábado uma grande parte do bairro governamental de Ramussa, na periferia sul de Alepo, o que lhe permitiu chegar aos bairros rebeldes, romper seu cerco e cortar a principal rota de abastecimento dos bairros pró-Assad.

Na noite de domingo, as forças pró-governamentais conseguiram fazer chegar aos seus bairros de Alepo caminhões de ajuda através da rota do Castello, retomada recentemente dos rebeldes. Dezenas de caminhões com alimentos e combustível entraram antes do amanhecer nos bairros pró-regime, onde vivem 1,2 milhão de pessoas, depois que os moradores compraram em massa alimentos e água por medo de um cerco total.

Encorajado pela inesperada vitória dos rebeldes, o líder da coalizão da oposição política no exílio, Anas Abdah, convocou os soldados do regime a desertar. "Rompemos o cerco de Alepo e vamos libertar toda (a cidade de) Alepo. Convocamos os oficiais do exército sírio: é sua última oportunidade de desertar", declarou em uma coletiva de imprensa em Istambul.

A guerra na Síria, iniciada em março de 2011 após a repressão de manifestações pró-democracia, se tornou mais complexa com o envolvimento de atores internacionais e grupos extremistas. / AFP

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