Governo sírio intensifica repressão e fica mais isolado

A cidade sitiada de Deir el-Zou, no leste da Síria, foi alvo de disparos de artilharia na manhã desta segunda-feira, embora a violenta repressão do governo deixe cada vez mais isolado o presidente Bashar Assad e países árabes passem a condenar as ações do regime. As novas ações violentas na cidade ocorrem um dia depois de pelos menos 42 pessoas terem sido mortas como resultado a intensificação da repressão contra manifestantes.

AE, Agência Estado

08 de agosto de 2011 | 09h07

"Nós ouvimos explosões muito fortes e agora há disparos intermitentes", disse um ativista que está na cidade e falou sob condição de anonimato, temendo represálias. Segundo ele, as pessoas estão muito aterrorizadas para levar os feridos a hospitais do governo e preferem tratá-los em casa ou em hospitais improvisados.

Os Comitês de Coordenação Locais, que ajudam a organizar os protestos e registram o levante, disseram que tiros de metralhadoras e explosões de artilharia foram retomados na madrugada desta segunda-feira em Deir el-Zour. Tropas sírias também invadiram Maaret al-Numan, localizada na província de Idlib, norte do país, ao amanhecer, informaram ativistas. "As forças entraram na cidade pelo lado leste e impedem que moradores entrem ou saiam da cidade", informaram os comitês em comunicado.

Mais de 300 pessoas morreram na semana passada, a mais sangrenta dos cinco meses de levante contra o governo autoritário de Assad. Deir el-Zour, em particular, foi alvo de ataques intensos. A cidade fica numa área rica em petróleo mas numa região bastante pobre da Síria, conhecida por seus clãs bem armados e tribos cujas ligações se estendem pelo leste da Síria até o Iraque.

Também nesta segunda-feira, o grupo internacional de hackers Anonymous assumiu a autoria pelo ataque ao site do Exército sírio. O site saiu do ar e mensagens com uma cópia da tela da página militar síria mostram o símbolo do grupo, um terno sem cabeça, e um texto dirigido ao povo sírio dizendo que "o mundo os apoia contra o regime brutal".

Segundo ativistas e grupos de direitos humanos, mais de 1.700 pessoas já morreram vítimas da repressão do governo.

A comunidade internacional condenou as ações do regime e impôs sanções e exigências para o encerramento imediato dos ataques. França e Alemanha reafirmaram suas condenações nesta segunda-feira. Mas um sinal do crescente indignação com a violência foi a adesão de vizinhos árabes da Síria ao grupo que critica as ações do governo de Assad. As informações são da Associated Press.

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