Governo sírio liberta presos políticos

Presidente anunciou a libertação de centenas de presos e recuo de policiais e soldados para tentar acalmar a população

Agência Estado,

26 de março de 2011 | 13h45

Os protestos contra o governo continuaram neste sábado na Síria e o presidente Bashar Assad anunciou a libertação de centenas de presos políticos, além do recuo de policiais e soldados de uma cidade rebelde do sul do país, para tentar acalmar a população. Ativistas de direitos humanos disseram que as autoridades libertaram 260 presos políticos.

Manifestantes e as forças de segurança do governo da Síria se enfrentaram neste sábado na cidade costeira de Latakia, onde os manifestantes incendiaram escritórios do partido Baath, do presidente sírio, segundo um ativista. Antes dos incidentes, dezenas de pessoas participavam de um protesto contra o governo, disse Ammar Qurabi, um exilado no Egito que lidera a Organização Nacional Síria de Direitos Humanos. A conselheira presidencial, Bouthaina Shaaban, afirmou que um "grupo armado" ocupou os telhados de alguns prédios e que ativara contra os cidadãos.

Paralelamente, um morador disse hoje à Associated Press, por telefone, que as forças de segurança foram retiradas da Deraa, onde protestos pela libertação de jovens presos por fazer pichações anti-governo transformaram-se em confrontos diários com as forças de segurança, que têm repetidamente aberto fogo contra eles. As manifestações se espalharam pela Síria ontem e testemunhas dizem que 15 pessoas morreram em pelo menos seis cidades e vilas.

Um residente Deraa disse que mais de mil pessoas realizavam um silencioso protesto na mesquita al-Omari, o epicentro dos protestos. Manifestantes usaram a mesquita como refúgio e centro médico, até que foram expulsos pelas forças do governo na quarta-feira. Eles retomaram a mesquita durante confrontos com as forças do governo ontem, disseram testemunhas.

Os confrontos começaram depois que os manifestantes atacam uma estátua do falecido presidente Hafez Assad, na praça principal de Deraa, segundo as testemunhas. O residente Daraa disse que a estátua tinha sido derrubada e uma foto gigante do presidente Bashar Assad, o filho do falecido líder, tinha sido rasgada. Um vídeo publicado na principal página do Facebook utilizada por ativistas pró-democracia da Síria mostrou uma multidão de jovens em Deraa tentando abalar a estátua e depois correndo em direção a um edifício próximo, alguns atirando o que pareciam ser pedras. De repente, tiros de armas automáticas são ouvidos e vídeo é interrompido.

Um residente disse à Associated Press ter visto dois corpos e muitos feridos sendo levados para o principal hospital de Deraa após o tiroteio. As informações são da Associated Press.

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