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Governo sírio quer retirar civis da cidade de Homs

Pessoas não conseguem deixar local há mais de uma semana devido aos confrontos

AE, Agência Estado

19 de junho de 2012 | 09h43

BEIRUTE, LÍBANO - O governo do presidente sírio Bashar Assad disse nesta terça-feira, 19, que está pronto para acatar um pedido da Organização das Nações Unidas (ONU) para a retirada de civis da cidade de Homs, que há mais de uma semana não conseguem deixar o local, mas responsabilizou os rebeldes por obstruírem os esforços para a evacuação dessas pessoas.

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O major-general Robert Mood, chefe da missão de observadores da ONU no país, exigiu que todos os lados do conflito permitam a passagem de mulheres, crianças e doentes que precisam sair da cidade e de outras zonas de combate.

Ativistas disseram que bombardeios e confrontos entre combatentes rebeldes e tropas em Homs não diminuíram nesta terça-feira, destacando a dificuldade em organizar qualquer tipo de retirada. Há relatos de violentos bombardeios em distritos tomados pelos rebeldes como Khaldiyeh e Jouret el-Shayeh e em áreas próximas.

Tropas apoiadas por helicópteros, armados com metralhadoras, também atacavam a cidade de Rastan, ao norte de Homs, e que também é controlada pelos rebeldes.

O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos reiterou seu apelo urgente para que os líderes mundiais intervenham para o encerramento dos bombardeios, que impedem o deslocamento de mais de 1.000 famílias e "os sistemáticos assassinatos que o povo sírio em Homs está submetido".

Um comunicado do Ministério de Relações Exteriores divulgado pela agência estatal de notícias Sana diz que o governo entrou em contato com a missão de observadores da ONU e com autoridades locais em Homs para iniciar os trabalhos para a retirada dos civis.

"Os esforços da missão de monitoramento da ONU fracassaram em atingir seu objetivo por causa das obstruções impostas pelos grupos terroristas", diz o comunicado, que acusa os grupos armados de usarem civis inocentes como "escudos humanos".

O governo sírio costuma se referir aos rebeldes como terroristas. A missão da ONU não comentou as afirmações do governo sírio.

No domingo, Mood disse que os observadores haviam tentado, na semana anterior, retirar famílias e feridos de Homs, sitiadas pelos ataques do regime.

Ativistas dizem que cerca de 1.000 famílias não podem deixar Homs por causa dos ataques do governo à cidade. O Observatório disse que dezenas de feridos, que não têm acesso a medicamentos e remédios estão impedidos de se deslocar em Home e em outras áreas controladas por rebeldes.

No sábado, a ONU disse que seus 300 observadores na Síria suspenderam todas as missões por causa de temores em relação à segurança do grupo, depois que os confrontos se intensificaram nos dez dias anteriores. Mas os monitores disseram que permanecerão em Damasco.

Mood deve falar ao Conselho de Segurança pessoalmente nesta terça-feira, em meio a crescentes temores de que a violência possa encerrar a missão de monitoramento, parte do plano de paz apresentado pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan.

As informações são da Associated Press.

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