Eloy Alonso/Reuters
Eloy Alonso/Reuters

Governo socialista sofre dura derrota na Espanha

Partido Popular, de centro-direita, vence eleições locais após uma semana de intensos protestos contra o desemprego em várias cidades do país

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

O Partido Socialista (PSOE), de José Luis Rodríguez Zapatero, sofreu sua pior derrota eleitoral em 30 anos de democracia na Espanha e se transformou na mais nova vítima da crise econômica que assola a Europa. Ontem, seu partido foi punido nas eleições regionais e os espanhóis promoveram uma guinada sem precedentes para a direita. A derrota coloca pressão para que Zapatero renuncie e convoque eleições antecipadas ainda em 2011.

O resultado deve incomodar os mercados hoje e será recebido como mais um sinal de incerteza a respeito dos planos de ajustes dos governos europeus. O temor é de que Zapatero não tenha como implementar suas políticas de austeridade. O primeiro-ministro socialista, no entanto, negou qualquer intenção de alterar o calendário eleitoral da Espanha. "Não haverá eleições antecipadas", declarou ainda na noite de ontem.

Outra preocupação é que, após o calor da votação, governos locais revelem que suas dívidas são, na realidade, bem superiores ao que diziam antes do pleito. Há um ano, o governo da Catalunha admitiu que seu buraco financeiro era, na verdade, 60% maior do que se previa antes das eleições.

Ontem, os espanhóis escolheram cerca de 70 mil prefeitos, deputados e vereadores em 8,1 mil cidades. No entanto, a eleição, marcada pelos protestos de rua, foi um teste para o governo socialista.

A princípio, as eleições gerais estão marcadas para março de 2012. No entanto, com a derrota de ontem, o grande vencedor, o Partido Popular (PP), exige que o PSOE reconheça que chegou o momento de deixar o poder.

Na sede do PSOE, seus principais nomes admitiram a derrota histórica nas urnas. "Essa é a expressão de um mal-estar coletivo", admitiu a porta-voz do comitê do partido, Elena Valenciano. "O resultado tem uma relação direta com a crise.".

Ontem, os socialistas fizeram história ao anunciar sua derrota assim que as urnas foram abertas para a apuração, algo que a Espanha nunca havia visto em três décadas de democracia. Com todos os votos contados, o PP obteve 37%, 2 milhões de votos e 10 pontos porcentuais a mais do que os socialistas, a maior diferença já registrada desde o fim da ditadura de Francisco Franco.

Bastiões socialistas foram perdidos, como Castilla-La Mancha e Barcelona. O partido de Zapatero perdeu também Sevilha, depois de 12 anos no poder, além de dezenas de outras cidades. Madri se manteve com o PP. Em Castilla y León, terra de Zapatero, a direita também obteve a maioria dos votos.

Na sede do PP e nos pontos de concentração do partido, militantes gritavam "Zapatero, demissão". O líder do PP, Mariano Rajoy, comemorou. "Conseguimos o melhor resultado de nossa história", afirmou. "O governo precisa acabar com essa agonia e convocar eleições", disse Esperanza Aguirre, presidente madrilenha do PP.

Zapatero acusou os conservadores de cinismo. Isto porque as políticas de austeridade econômica que ele foi obrigado a implementar terão de ser seguidas também pelo próximo governo.

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