Governo sofre derrota em eleições municipais de Portugal

Eleitores portugueses demonstraram nas eleições municipais deste domingo sua frustração com a coalizão de centro-direita e suas políticas de austeridade. De acordo com uma pesquisa de boa de urna, os socialistas, da oposição, mantiveram a prefeitura de Lisboa, enquanto o Partido Social Democrata, do primeiro-ministro Passos Coelho, deve deixar o poder no Porto, segunda maior cidade do país. O PSD também perdeu a disputa em outros grandes centros urbanos.

Agência Estado

29 de setembro de 2013 | 20h16

Passos Coelho admitiu a derrota de seu partido e parabenizou os socialistas pela "vitória significativa".

As eleições foram vistas como o primeiro teste das políticas de austeridade defendidas pela coalizão governista de centro-direita.

Em troca de um pacote de ajuda de 78 bilhões de euros, em maio de 2011, o governo português aumentou impostos e reduziu salários e aposentadorias, numa tentativa de equilibrar o orçamento. As medidas agravaram a crise econômica, que levou a taxa de desemprego a um recorde de 17,7% no começo deste ano.

Apesar do descontentamento cada vez maior da população, o governo continua implementando medidas para sanar as finanças públicas, em busca de mais desembolsos do pacote de ajuda. Os eleitores, no entanto, parecem ter se vingado neste domingo.

Em Lisboa, o prefeito socialista Antonio Costa obteve entre 51% e 55% dos votos, uma fatia maior do que os 44% das eleições de 2009. O candidato do governo, Fernando Seara, recebeu entre 21% e 24% dos votos, de acordo com a pesquisa.

No Porto, o candidato independente Rui Moreira surpreendeu seus rivais Luis Filipe Menezes, do PSD, e o socialista Manuel Pizarro. Moreira conseguiu entre 36% e 40% dos votos, enquanto Menezes obteve entre 22% e 25% e Pizarro, até 24%.

Auditores do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu estão em Lisboa para avaliar o progresso de Portugal e decidir sobre o desembolso de uma parcela de 5,5 bilhões de euros do empréstimo.

O primeiro-ministro Passos Coelho havia dito antes da votação que o resultado das eleições municipais não afetaria a política nacional. Ele admitiu neste domingo, porém, que o resultado das eleições locais deve ser considerado sob uma perspectiva nacional. Fonte: Dow Jones Newswires.

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