Governo somali ataca cidade estratégica de milícia islâmica

As forças do governo provisório somali, apoiadas por soldados etíopes, alcançaram neste sábado o controle de uma localidade estratégica que era dominada por uma milícia leal à União de Tribunais Islâmicos (UCI), confirmaram fontes dos dois lados."Viemos a Burhakaba por razões de segurança, porque a milícia islâmica tinha atacado a cidade", disse o comandante das tropas governamentais.Membros da milícia "saíram correndo quando chegamos e tomamos o controle de oito veículos técnicos", acrescentou.Burhakaba fica a 60 quilômetros de Baidoa, cidade que fica a 245 quilômetros ao noroeste de Mogadiscio - capital do país -, onde estão a sede do governo e o Parlamento somalis. Baidoa é a localidade mais importante sob controle das autoridades da transição.O governo e as forças etíopes garantem que tomaram as ruas da cidade sem derramamento de sangue, embora seus rivais tenham afirmado que houve um conflito armado no qual duas pessoas perderam a vida.O vice-presidente de Segurança da UCI, Mukhtar Robow Ali, declarou que os etíopes atacaram a área e capturaram um de seus veículos técnicos."A ofensiva custou a vida de duas pessoas, (as forças etíopes) se apoderaram de um veículo, mas se arrependerão", declarou Ali. "Preparamos a ´jihad´ contra eles e traremos a morte etíope às ruas", ameaçou.Fontes independentes em Burhakaba explicaram que as forças governamentais foram ajudadas por soldados da Etiópia, e que conquistaram o controle da região sem luta.No início do mês, o governo tentou realizar uma ação semelhante para se apoderar de Burhakaba, mas o ataque fracassou.O confronto entre o governo, aliado à Etiópia, e a UCI está chegando a seu ápice, enquanto as duas partes planejam enviar uma delegação para as negociações de paz, que devem acontecer em Cartum no final de outubro.A Somália não tem um governo central desde que o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado em 1991, acontecimento que deflagrou uma luta entre os "senhores da guerra" que envolveu as milícias islâmicas nos últimos meses.Apesar de a UCI condenar a intervenção estrangeira, a Etiópia, primeira potência militar da região do Chifre da África, continua negando a intervenção de suas Forças Armadas.O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, afirmou na última quinta que o país enviou instrutores militares para a Somália com intuito de ajudar o governo de transição somali a enfrentar o regime fundamentalista islâmico, que controla a capital e quase todo o sul do país e avança sobre resto do território.

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