Governo somali declara vitória sobre insurgentes islâmicos

O governo da Somália declarou nesta quinta-feira, 26, vitória sobre insurgentes islâmicos que vêm se enfrentando com tropas de coalizão do país e da Etiópia desde março.O anúncio ocorre em meio a uma onda de violência que matou cerca de 60 pessoas em Mogadiscio. Apesar da suposta vitória, diplomatas acreditam que a violência deve continuar no país.Enquanto isso, a principal autoridade humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) informou hoje que os combates na Somália já produziram mais de 400.000 mil refugiados e que os organismos internacionais de ajuda têm acesso apenas a uma parte deles."Os civis foram apanhados no fogo cruzado," disse John Holmes, subsecretário-geral para assuntos humanitários. "Os bombardeios são indiscriminados. Vimos mísseis atingirem hospitais."Holmes estima que entre 340.000 e 400.000 somalis foram forçados a abandonar suas casas. "As estimativas crescem com rapidez," adiantou. Agências das Nações Unidas e outros grupos humanitários tentam oferecer ajuda mas só conseguem chegar a 60.000 dos refugiados no momento, por causa da luta em toda a capital, Mogadiscio.Nesta quinta-feira, tanques e artilharia da Etiópia, em apoio ao governo somali, atiraram contra uma fortificação dos insurgentes islâmicos, em uma tentativa de expulsar os militantes de um bairro conhecido por abrigar radicais muçulmanos, no leste da cidade. Na quarta-feira, um míssil derrubou o teto de um hospital infantil, que abrigava dezenas de adultos feridos.Mesmo com o aumento da violência, o primeiro-ministro da Somália, Ali Mohamed Gedi, proclamou nesta quinta-feira a vitória sobre os insurgentes islâmicos em Mogadiscio, depois de nove dias de lutas nas ruas."Nós vencemos a luta contra os insurgentes," disse o primeiro-ministro à Associated Press, em entrevista por telefone. "O pior da luta na cidade (Mogadiscio) agora acabou," afirmou.Segundo ele, tropas da Somália e seus aliados etíopes capturaram mais de cem rebeldes em uma fortificação no norte da cidade. Os refugiados agora podem voltar para suas casas, acrescentou.Sob condição de anonimato, diplomatas ocidentais em Mogadiscio expressaram ceticismo quanto às garantias do chefe do governo provisório."A situação é muito preocupante," disse Holmes, sobre a Somália. Ele não quis afirmar quando a situação poderá ser considerada uma catástrofe, mas afirmou que mais pessoas se tornaram refugiadas neste ano na Somália do que em qualquer outro país do mundo.Somalis que fogem da capital - a maioria mulheres, crianças e velhos - se dirigem a áreas próximas, onda são escassos alimentos, água potável e serviços de saúde. Cerca de 600 somalis já morreram este ano de diarréia.Nos últimos oito dias, 350 morreram nos combates em Mogadiscio, segundo os grupos de defesa dos direitos humanos. A insurgência islâmica começou quando o Conselho das Cortes Islâmicas foi afastado do poder, em dezembro de 2006, por invasoras tropas da Etiópia apoiadas por forças especiais dos Estados Unidos.Holmes afirma que uma trégua é urgente para permitir que a ajuda humanitária chegue aos civis da Somália. Ele voltou a instar o governo da Somália a facilitar o acesso dos refugiados à comida e aos medicamentos, porque o governo tem retido carregamentos em barreiras para inspeções. "O governo afirma que ainda não inspecionou a comida, o que parece inadequado em uma situação de emergência," opinou Holmes.

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