Governo tenta conter onda de protestos na China

Manifestações contra apropriação de terras e abuso de poder envolvem explosão de bombas em prédios públicos

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PEQUIM

O governo chinês enfrenta uma onda de protestos contra abusos de poder e apropriação de terras em diferentes partes do país, dos quais pelo menos dois envolvem a explosão de bombas em prédios públicos. Ontem, a polícia impôs toque de recolher na cidade de Zengcheng, na Província de Cantão, depois que centenas de trabalhadores atearam fogo a edifícios do governo em protesto contra a agressão por seguranças de uma vendedora ambulante grávida.

Apesar de 25 pessoas terem sido presas no domingo, mensagens e fotos postadas ontem no Weibo - versão chinesa do Twitter - indicam que centenas de pessoas desafiaram a proibição de sair às ruas e entraram em choque com a polícia pelo quarto dia consecutivo. Na sexta-feira, início dos protestos, uma explosão diante da sede do governo local feriu duas pessoas em Tianjin, a 120 quilômetros de Pequim.

Há menos de um mês, três bombas foram detonadas em edifícios públicos em Fuzhou, na Província de Jiangxi, matando quatro pessoas, incluindo o autor do atentado, Qian Mingqi, um empresário de 52 anos que tentava, havia mais de uma década, obter compensação pela destruição de edifícios de sua propriedade por autoridades locais.

Conflitos envolvendo a perda de terras também causaram manifestações na cidade de Lichuan, na Província de Hubei, onde moradores saíram às ruas na semana passada para protestar contra a morte sob custódia policial de Ran Jianxin, ex-chefe do departamento de combate à corrupção, preso sob acusação de receber propinas.

Os manifestantes afirmam que o motivo da prisão de Ran foi sua oposição a uma transação de terras defendida por líderes locais do Partido Comunista. Para controlar a situação, o governo prendeu ou afastou de suas funções cinco dirigentes da cidade e anunciou que a morte de Ran está sendo investigada.

Duas semanas antes, o governo chinês tinha enfrentado protestos nas principais cidades da Mongólia Interior, depois de um pastor mongol ter sido atropelado e morto por um caminhão de transporte de carvão conduzido por um han, no que os manifestantes sustentam ter sido um crime premeditado. Os han representam 79% da população local.

As manifestações ocorrem em meio à mais violenta onda de repressão do governo em pelo menos uma década. Protestos contra abusos de autoridade, poluição, apropriação indevida de terras e disputas salariais são comuns na China, mas crescem cada vez mais.

Eles não passavam de 10 mil por ano em meados dos anos 90. Em 2006, foram registrados 60 mil. No ano seguinte, 80 mil. Em 2010, ultrapassaram 130 mil.

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