REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Governo tenta 'sequestrar' López, diz mulher de político

Segundo Lilian Tintori, autoridades de Caracas tentaram retirar líder antichavista de complexoonde ele está preso

CARACAS, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2015 | 02h00

A mulher do opositor venezuelano Leopoldo López - líder do partido Vontade Popular preso há um ano acusado de incitar violência nos protestos antigoverno que convocou em 2014 - denunciou ontem que um grupo de agentes tentou "sequestrar" seu marido da cela com a intenção de retirá-lo da penitenciária militar de Ramo Verde. "Queriam tirá-lo à força de sua cela. Leopoldo se negou a sair até que haja a presença de (representantes) da Defensoria Pública. Está pedindo que se façam presentes seus advogados e o defensor", disse Lilian Tintori na tarde de ontem ao jornal venezuelano El Nacional, que tem linha editorial crítica ao chavismo.

Há uma semana, a mulher de López denunciou que agentes do governo "invadiram" a cela do opositor com violência e retiraram de lá todos os documentos e manuscritos que ele mantinha. Depois da "invasão", o político foi posto em confinamento solitário por 15 dias, autorizado a receber visitas apenas de seus defensores, segundo o relato.

Em entrevista à emissora CNN em espanhol, transmitida ontem, López pediu a renúncia do presidente Nicolás Maduro. A entrevista, a primeira dada por ele desde sua prisão, foi gravada por telefone, de dentro da prisão onde ele está detido.

"Eu diria aos que estão hoje governando a Venezuela que entendam que sua proposta fracassou. Que conseguiram fazer o país entrar em colapso. Que tiveram sua oportunidade e fracassaram", disse López. "A chegada de Maduro ao governo é um fracasso em todos os âmbitos", afirmou.

A entrevista foi gravada no dia 8 e foi concedida, segundo a CNN em espanhol, por uma decisão do próprio López, que aproveitou um telefonema ao qual tinha direito para conversar com o canal. Segundo o opositor, "provavelmente" ele seria punido por conversar com jornalistas com castigos e isolamento na solitária. / EFE

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