Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

'Governo Fernández terá algum populismo, limitado’, diz analista sobre eleições argentinas

Consultor e analista político afirma que novo governo argentino deverá sofrer tensão entre suas intenções e a realidade

Entrevista com

Ricardo Rouvier

Rodrigo Cavalheiro, Enviado Especial a Buenos Aires

28 de outubro de 2019 | 08h00

BUENOS AIRES - Entre os analistas políticos argentinos, poucos como Ricardo Rouvier conjugam proximidade do peronismo para conhecer seus planos e independência para analisar suas falhas. Na avaliação dele, o viés populista associado a um governo com Cristina Kirchner será freado pela falta de dinheiro.

• Como será o governo de Alberto Fernández?

Será um governo progressista. Terá algum populismo, mas limitado pelas severas condições adversas do modelo econômico. Vai haver uma tensão entre a realidade e as intenções dele. O tema principal será como enfrentar a crise econômica. Ele vai ter que calibrar as medidas e ver o que fazer. Essa tensão não pode afetar a governabilidade. Fernández terá um ponto a favor: o grupo que hoje está no poder e passará à oposição vai estar em crise.

• E a relação com Cristina?

Se congelamos a situação hoje, a relação entre os dois é normal. Ao colocá-lo como cabeça de chapa, Cristina tomou uma decisão política importante, que mudou o cenário político. Ela teve de aceitar que o caminho não era o dela sozinha. Que havia que integrar outros setores do peronismo, se aproximar de governadores com os quais ela havia brigado.

• A falta de experiência dele em um cargo de administração no Executivo preocupa?

Ele tem muita experiência para gerir um gabinete, sabe administrar um governo. Tem experiência, mas os problemas são delicados.

• O que ele fará na economia?

Vai fazer uma tentativa keynesiana de colocar dinheiro nos bolsos das pessoas. O problema é que esse dinheiro não existe. De certa forma, isso já está sendo feito por Macri, ao emitir moeda. Mas essa tática pode alimentar a inflação.

• Qual o futuro de Macri?

Pelo que se via 20 dias atrás, parecia que ele abandonaria a política. Mas se observamos os últimos dias, acho que seguirá . Ele percorreu várias cidades, algo que não fez em anos de governo. Ainda assim, Macri termina muito desvalorizado. Além disso, haverá tensões internas em seu grupo político.

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