Erin Schaff/The New York Times
Erin Schaff/The New York Times

Governo Trump apresenta ação para bloquear livro de John Bolton 

Administração diz que ex-assessor de segurança nacional não deixou que o texto fosse examinado; Bolton diz que só há informações embaraçosas para o presidente, mas não ameaçadoras à segurança nacional

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2020 | 20h29

WASHINGTON - O governo do presidente americano, Donald Trump, apresentou nesta terça-feira, 16, uma ação judicial para tentar evitar a publicação do livro do ex-assessor de segurança nacional John Bolton que, segundo trechos, revela "o caos" na Casa Branca.

A ação, apresentada ao tribunal federal de Washington DC, diz que Bolton não deixou que o texto fosse examinado, o que significa que seu livro estaria em "descumprimento claro" dos acordos assinados para chegar ao cargo e obter acesso a informação sensível.

O livro, intitulado The Room Where It Happened: A White House Memoir (O recinto onde aconteceu: uma memória da Casa Branca, em tradução livre), será posto à venda em 23 de junho.

Bolton, polêmico por suas opiniões sobre o Irã, a Rússia e a Venezuela, entre outros tópicos, ocupou o cargo estratégico de consultor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca (NSC) entre abril de 2018 e setembro de 2019. 

Ele deixou a função depois de discordar da aproximação diplomática de Trump com alguns adversários, principalmente a Coreia do Norte e os Taleban no Afeganistão, e o relacionamento entre os dois se tornou especialmente hostil. 

No início deste ano, com partes do livro de Bolton vazando para a imprensa, os advogados da Casa Branca alegaram que grande parte do material era classificada como informação sigilosa. 

Mas a editora Simon e Schuster informou que iria adiante com a publicação: "Este é o livro que Donald Trump não quer seja lido", segundo um comunicado da empresa.

O advogado de Bolton, Charles Cooper, disse que seu cliente agiu de boa fé e que o governo Trump está abusando de um processo de revisão padrão para impedir Bolton de revelar informações que são apenas embaraçosas para o presidente, mas não uma ameaça à segurança nacional. Na segunda-feira, Trump acusou Bolton de violar políticas relacionadas a informações sigilosas ao avançar com o livro.

Mas o livro já foi impresso e enviado às distribuidoras, o que pode dificultar a administração de impedir que a história de Bolton se torne pública.

O ex-assessor submeteu o texto à administração para revisão em janeiro. Na época, estava em andamento o inquérito de impeachment sobre se as negociações de Trump com a Ucrânia constituíam abuso de poder. Os democratas pediram a Bolton que testemunhasse voluntariamente no inquérito de impeachment da Câmara, mas ele se recusou.

Ele se ofereceu para testemunhar no julgamento de impeachment no Senado, onde os republicanos têm a maioria, mas eles se recusaram a convocá-lo.

Um relato crítico do livro surgiu durante o julgamento, quando o New York Times reportou que Bolton, em seu texto, disse que Trump ligava diretamente a ajuda militar à Ucrânia ao seu desejo de investigações para prejudicar seu rival político, o ex-vice-presidente Joe Biden, candidato democrata à presidência dos EUA este ano./AFP e NYT

 

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