Henry Romero/REUTERS
Henry Romero/REUTERS

Governo Trump recoloca Cuba em lista de Estados 'patrocinadores do terrorismo'

País havia sido retirado do documento em 2015, durante mandato de Barack Obama; chanceler cubano considera ação 'um ato de oportunismo político'

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 19h25

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos, faltando nove dias para a saída do poder do presidente Donald Trump, voltou a colocar Cuba em sua lista de "Estados patrocinadores do terrorismo". O país havia sido retirado do documento em 2015, durante o mandato de Barack Obama, como parte do processo de "degelo" da relação bilateral. Havana diz que decisão é ato de "oportunismo político"

"O Departamento de Estado designou Cuba como Estado Patrocinador do Terrorismo por apoiar repetidamente atos de terrorismo internacional, fornecendo refúgio seguro a terroristas", disse nesta segunda-feira, 11, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em comunicado.

"Com esta medida, voltaremos a responsabilizar o governo de Cuba e enviaremos uma mensagem clara: o regime de Castro deve pôr fim ao seu apoio ao terrorismo internacional e à subversão da justiça americana", completou, fazendo referência a Fidel Castro (morto em 2016) e seu irmão Raúl, líderes da Revolução de 1959.

"Durante décadas, o governo cubano alimentou, abrigou e forneceu assistência médica a assassinos, fabricantes de bombas e sequestradores, enquanto muitos cubanos estão morrendo de fome, desabrigados e sem remédios básicos", acrescentou Pompeo em um comunicado.

Pompeo destacou a "interferência maligna" de Cuba na Venezuela e em outros países da América Latina.

Ele também destacou o "apoio" de Havana aos guerrilheiros colombianos do Exército de Libertação Nacional (ELN), que os EUA consideram uma organização terrorista estrangeira, bem como aos dissidentes da extinta guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Além disso, acusou Cuba de hospedar vários fugitivos americanos da Justiça desde os anos 70, como Joanne Chesimard, Ishmael LaBeet e Charles Lee Hill, entre outros.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, reagiu, qualificando a medida como oportunista e hipócrita. "O oportunismo político desta ação é reconhecido por todo aquele que tiver uma preocupação honesta diante do flagelo do terrorismo e suas vítimas", afirmou Rodríguez no Twitter.

Essa designação representa um forte impacto econômico para a ilha comunista, pois restringe o comércio e a ajuda externa dos EUA e expõe os investidores estrangeiros a processos por parte dos EUA.

O futuro governo de Joe Biden, que tomará posse em 20 de janeiro, poderia retirar Cuba da lista, mas antes Antony Blinken, indicado para suceder Pompeo, teria que fazer uma revisão formal, o que significa que a medida pode permanecer em vigor por meses.

Em 2015, como parte de sua política de reaproximação com Cuba, Obama retirou o país caribenho da lista de Estados patrocinadores do terrorismo, alegando que os esforços de meio século dos Estados Unidos para isolar a ilha foram um fracasso.

Trump, porém, suspendeu a reaproximação de Washington com Havana assim que assumiu o cargo em 2017, endurecendo o embargo em vigor desde 1962 e impondo uma série de sanções a sua aliada Venezuela, o que lhe rendeu o apoio eleitoral do crucial Estado da Flórida./AFP e EFE

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