Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Governo Trump toma medida para manter secreto relatório sobre tortura da CIA 

Ao ser enviado para o Congresso, relatório se torna imune às leis que exigem do governo a publicação de certos registros 

O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2017 | 17h12

WASHINGTON - A administração do presidente Donald Trump lançou mão nesta sexta-feira, 2, de uma medida para manter em segredo por mais tempo um volumoso relatório de 2014 da CIA (Agência de Inteligência Americana) sobre o programa de detenção e interrogatório da agência. Para isso, o governo passou a enviar para o Congresso partes desses documentos distribuídos em suas agências. 

A atitude da administração Trump deve tornar mais difícil que todo o documento, um relatório de 6,7 mil páginas, seja tornado público. Uma vez sob o poder do Congresso, o relatório se torna imune às leis que exigem do governo a publicação de certos registros. 

A Casa Branca alegou ter tomado a decisão em resposta ao pedido do senador republicano Richard Burr, presidente  da Comissão de Inteligência do Senado. Em um comunicado enviado à agência Reuters, Burr explicou sua requisição. "Orientei minha requipe a restaurar cópias  do estudo do Congresso que continua com algumas agências do Executivo e, como a comissão faz com todos os documentos sigilosos e compartimentados, tomará as medidas necessárias para proteger as fontes e os métodos sensíveis que contém dentro desse relatório." 

A senadora democrata Dianne Feinstein, que presidia a comissão quando o relatório foi produzido, havia pedido para que cópias dele fossem distribuídas para as múltiplas agências do Executivo, uma decisão tomada com o objetivo de tornar mais fácil que o documento fosse divulgado ao público sob o Ato da Liberdade de Informação.  

Dianne afirmou em um comunicado que estava "preocupada e desapontada" com o pedido de Burr para que o relatório retornasse à Casa, em um ato que ela considerou um desvio da natureza bipartidária da Comissão. "Nenhum senador, presidente ou não, tem a autoridade de apagar a história. Acredito que esse é o objetivo do presidente (Burr) nesse caso", disse ela. 

O senador Mark Warner, que substituiu Dianne com o mais alto democrata na comissão, postou em sua conta no Twitter que ele também estava "desapontado" com a decisão de Burr e instou que o relatório "seja preservado para que as pessoas possam aprender com os erros do passado e garantam que os abusos nunca mais se repitam". 

Um resumo executivo não sigiloso do relatório foi tornado público em dezembro de 2014. Ele concluiu que os programas de interrogatório da CIA, utilizando técnicas como afogamento que muitos observadores consideram tortura, foram mais brutais e menos efetivos do que a CIA afirmou aos congressistas. O relatório afirma que nem um único ataque terrorista foi impedido como resultado do uso de duras técnicas de interrogatório. / Reuters 

 

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