SAUL LOEB / AFP
SAUL LOEB / AFP

Governo Trump usou dados de telefones celulares para monitorar fronteiras

Dados teriam ajudado a identificar imigrantes que foram presos e a procurar atividades de celulares em locais incomuns, como áreas remotas do deserto, diz jornal

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2020 | 11h51
Atualizado 07 de fevereiro de 2020 | 14h30

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, obteve acesso a um banco de dados capaz de mapear os movimentos de milhões de celulares no país e tem usado os dados para fiscalizar as fronteiras. As revelações são do jornal The Wall Street Journal, que teve acesso a documentos sigilosos e conversou com pessoas familiarizadas nas negociações. 

Os dados de localização vêm de aplicativos comuns nos celulares, como jogos, previsão do tempo e até de comércio eletrônico - é normal que usuários concedam permissão para registrar a localização dos telefones durante o cadastro.

O jornal informa que os dados serviram para identificar imigrantes que foram presos e para procurar atividades de telefones celulares em locais incomuns, como áreas remotas do deserto nas proximidades da fronteira mexicana. 

O Departamento de Segurança Interna usou as informações para detectar imigrantes sem documentos e outros que possam estar entrando nos EUA ilegalmente, de acordo com essas pessoas e documentos. O uso de dados como esses pelo governo federal não havia sido registrado anteriormente. 

"Esta é uma situação clássica em que a crescente vigilância no setor privado está agora indo diretamente para o governo", afirmou ao jornal Alan Butler, conselheiro do Centro de Informações sobre Privacidade Eletrônica, um think tank que advoga por leis de privacidade mais duras.

De acordo com analistas consultados pela publicação americana, a dimensão das informações configuram "uma das maiores quantidades de dados em massa acessados pela polícia dos EUA". Apesar disso, os dados foram comprados de um fornecedor comercial, assim como qualquer empresa privada poderia fazê-lo, pondera o jornal, lembrando que pode haver disputas judiciais sobre o tema. 

A reportagem cita que os dados detectaram celulares se movendo por uma região onde mais tarde iriam descobrir um túnel construído por contrabandistas de drogas entre os EUA e o México, que terminava em uma loja fechada Kentucky Fried Chicken, no lado americano, perto de San Luis, no Arizona. 

Por fim, o The Wall Street Journal diz que o governo reconheceu a compra do acesso aos dados, mas não deu detalhes sobre o seu uso. "Pessoas familiarizadas dizem que os dados são usados para produzir pistas de investigação sobre possíveis travessias ilegais e para rastrear grupos de migrantes".

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