Governo turco condena manifestação militar sobre eleição

O governo turco, de raízes islâmicas, afirma que a advertência emitida pelos militares do país, a respeito da eleição presidencial, foi "democraticamente inaceitável". Na declaração divulgada na sexta-feira, 27, o Exército reafirmou a sua condição de "incondicional defensor do secularismo", em alusão à candidatura presidencial do atual ministro de Relações Exteriores, o islâmico Abdullah Gul, que concorre sozinho. A eleição presidencial turca é definida no Parlamento, e Gul não obteve maioria na primeira rodada de votação. Analistas viram a nota militar como um ultimato ao governo.A manifestação militar levou a imprensa turca a especular sobre uma possível antecipação das eleições legislativas.O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reuniu-se com o gabinete após a advertência militar. Depois, o ministro da Justiça, Cemil Cicek, porta-voz do governo, disse que a manifestação dos militares "não é aceitável na ordem democrática". "De acordo com nossa Constituição, o chefe do Estado-Maior responde ao primeiro-ministro", disse ele.Mais cedo, o comissário de Ampliação da União Européia, Ollie Rehn, alertara o Exército turco para "deixar os assuntos políticos nas mãos do governo democraticamente eleito", e pediu que as Forças Armadas do país demonstrem seu "respeito aos valores democráticos".Em declarações aos jornalistas, Rehn lembrou que "o respeito à democracia está no coração dos esforços para que a Turquia entre para a União Européia".

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