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Governo turco tenta amenizar crise provocada por protestos de rua

Erdogan pede calma antes de embarcar para o Marrocos; protestos diminuem

O Estado de S. Paulo,

03 Junho 2013 | 11h02

As principais lideranças turcas tentaram amenizar nesta segunda-feira, 3, a crise política provocada pelos protestos de rua contra o governo do primeiro ministro Recep Tayyip Erdogan, que completam hoje quatro dias. O presidente da Turquia, Abdullah Gül, assegurou aos manifestantes que suas reivindicações serão atendidas e descartou a convocação de novas eleições. Erdogan, por sua vez, pediu calma. Um dos principais sindicatos do país convocou para amanhã uma greve de dois dias para protestar contra a repressão aos ativistas.

Antes de partir para o norte da África, em visita oficial ao Marrocos, Argélia e Tunísia, Erdogan pediu à população turca que não seja influenciada pelos protestos, os maiores desde que o Partido Justiça e Liberdade, islâmico moderado, chegou ao poder em 2003. "Mantenham a calma. Vamos superar isso", disse o premiê antes de embarcar, em Istambul. "Não se deixem levar por provocações de extremistas."

Pela manhã, com as ruas de Istambul mais calmas depois de um fim de semana violento, o presidente turco pediu calma aos manifestantes e prometeu que a mensagem deles foi recebida. "É normal expressar opiniões diferentes", disse. "As mensagens transmitidas com boa vontade foram recebidas. A democracia não significa apenas a realização de eleições."

Os manifestantes acusam o governo de tentar islamizar a república turca – laica desde sua fundação, no começo do século 20. A onda de protestos de turcos seculares começou na sexta-feira, com uma passeata contra a reforma da Praça Taksim, ponto histórico de manifestações em Istambul. Durante o fim de semana, a polícia antidistúrbio tentou dispersar as milhares de pessoas que se reuniram no local e houve confrontos.

Os dias de tensão deixaram cerca de 1,7 mil feridos em Istambul e Ancara. Ao menos um manifestante morreu atropelado por um carro de polícia, segundo autoridades médicas e ONGs. Um balanço do governo divulgado no domingo contabilizou 58 civis e 115 policiais feridos. Segundo os organizadores dos protestos, convocados pelas redes sociais, houve 235 manifestações no país nos últimos dias em 67 cidades. Ao menos 1,7 mil manifestantes foram presos. / REUTERS

Veja imagens dos protestos:

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