Governo usa jogos de futebol para divulgar propaganda

Em agosto de 2009, um mês depois de sua pior derrota, em eleições que acabaram com sua maioria no Congresso, a presidente Cristina Kirchner anunciou o acordo com a Associação de Futebol da Argentina (AFA) para a criação do Programa Futebol para Todos, que implicou na estatização das transmissões dos jogos de futebol por uma década. A instituição que controlará a transmissão e as verbas envolvidas, a partir de agora, é justamente a "supersecretaria" de Comunicação.

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

O argumento do governo era "levar o futebol a todos os argentinos", pois desde os anos 90 as transmissões eram feitas pela TV a cabo. A oposição acusa Cristina de "populismo esportivo", já que todo o espaço publicitário nos jogos de futebol é ocupado por publicidade de obras e medidas do governo Kirchner.

O acordo do governo com a AFA, comandada por um remanescente civil da ditadura militar (1976-83), Julio Grondona, levou os cartolas dos times argentinos a romper unilateralmente um acordo assinado com a empresa TSC, uma sociedade formada pela empresa Torneios e Competências (TyC) e Grupo Clarín, para a transmissão dos jogos. A oferta do governo, aceita imediatamente pelos cartolas, foi a de quase triplicar a quantia que TyC pagava aos clubes, de US$ 59 milhões anuais.

O orçamento inicial do governo, em 2009, indicava que o programa implicaria em um desembolso de US$ 152,5 milhões anuais à AFA até 2019. Mas os valores começaram a ser alterados logo após o lançamento do programa. Em 2010, o governo destinou US$ 232 milhões. Para 2011, a previsão é de US$ 162,5 milhões. Este volume seria ampliado para US$ 325 milhões com os gastos da adoção das transmissões em alta definição para o público argentino.

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