Governo venezuelano anuncia unificação do sistema cambial

Medida pretende acabar com as três faixas que existem atualmente e aliviar a crise social causada pela inflação

CARACAS, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2014 | 02h04

O governo venezuelano se prepara para reorganizar o sistema de câmbio no país. A principal medida, que deve entrar em vigor em breve, será a convergência cambial.

Em entrevista concedida ontem a uma TV venezuelana, o ministro das Minas e Energia, Rafael Ramírez, admitiu que "manejar três tipos de câmbio é muito complexo".

O rearranjo faz parte de um esforço do governo para estancar a pressão inflacionária crescente no país e a incerteza econômica que ameaça a estabilidade política do regime de Nicolás Maduro.

Atualmente, a Venezuela opera um sistema com três taxas oficiais: uma que paga 6,30 bolívares por dólar, outra que está atrelada ao mecanismo de leilões de divisas, conhecido como Sicad I, que gira em torno de 10 bolívares por dólar e ainda a taxa do chamado Sicad II, que está em 49 bolívares por dólar.

No mercado paralelo, o dólar é negociado por cerca de 11 vezes a taxa oficial de 6,30 bolívares. É essa taxa informal que acabou se tornando referência para a determinação de preços de diversos produtos e vem puxando a inflação para cima: em maio, registrou-se índice de 60,9%, o maior desde 1996.

Para que a convergência cambial tenha sucesso, o ministro Ramírez disse que será necessário aplicar antes uma série de medidas fiscais e monetárias.

"Estamos reduzindo o déficit fiscal. O Sicad II está sendo muito importante, pois ao estabelecer uma taxa mais alta em relação ao dólar trouxe bolívares suficientes para sustentar o sistema", disse Ramírez, acrescentando ser fundamental reduzir a inflação. "Buscamos um sistema que seja permanente e dinâmico."

Divisas. O ministro negou que a Venezuela vá abrir mão do controle do câmbio, que mantém há 11 anos e obriga as empresas privadas a recorrer aos órgãos governamentais para adquirir bolívares.

Há cerca de um ano, o governo tem atrasado o processo de venda de divisas para as empresas, o que tem afetado o fluxo de importações para o país de diversas matérias-primas e insumos para indústria local. Com isso, acentuou-se a escassez de alguns alimentos e produtos básicos.

A demora na operação do câmbio também tem afetado o setor de turismo. O presidente da Associação de Companhias Aéreas da Venezuela, Humberto Figuera, disse que em razão do atraso no pagamento das diferenças de valores pelo governo, empresas como Air Canada e Alitalia suspenderam temporariamente os voos para o país. Outras companhias, como a American Airlines, reduziram drasticamente os voos para Caracas. / AP

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