Human Rights Watch
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Governo venezuelano ataca críticos enquanto crise se agrava, diz ONG

Human Rights Watch divulgou relatório nesta segunda-feira sobre a situação humanitária no país, agravada pela crise econômica e política; ONG diz que 'fracassos do governo' contribuem para sofrimento de seus cidadãos

O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2016 | 15h47

WASHINGTON - A ONG Human Rights Watch (HRW) divulgou nesta segunda-feira, 24, um relatório sobre a situação na Venezuela em que afirmou que o governo do presidente Nicolás Maduro ataca os que "criticam seus esforços inefetivos para aliviar a escassez de alimentos e de medicamentos essenciais" enquanto a grave crise econômica que atinge o país se intensifica.

Segundo a HRW, o documento de 73 páginas intitulado "Crise Humanitária da Venezuela: Escassez Severa de Medicamentos e Alimentos, Resposta Inadequada e Repressora do Governo" é um retrato do que ONG encontrou no país após entrevistar mais de 100 pessoas sobre a situação humanitária na capital, Caracas, e em outas cidades de seis Estados (Aragua, Carabobo, Lara, Táchira, Trujilo e Zulia), além de também acompanhar a situação por telefone e outros meios de comunicação

"O governo venezuelano parece mais motivado a negar a existência de uma crise humanitária do que a trabalhar para resolvê-la", disse José Miguel Vivanco, diretor da divisão das Américas na Human Rights Watch. "Seus fracassos têm contribuído para o sofrimento de muitos venezuelanos, que agora lutam diariamente para ter acesso a saúde básica e à nutrição adequada." 

A pesquisa conduzida pela HRW constatou ainda que a falta de medicamentos básicos e outros suprimentos médicos cruciais causou uma deterioração nos serviços de saúde prestados no país - um estudo feito com mais de 200 médicos em agosto e citado pelo relatório diz que 76% dos hospitais do país não tem medicamentos básicos.

"O sofrimento e a incerteza são pesadelos diários", afirma a mãe de uma menina diabética de 9 anos, segundo a HRW, sobre a busca pelos medicamentos que sua filha necessita.

Longas filas. A dificuldade para conseguir alimentos e itens de higiene também foi outro tema avaliado pela Human Rights Watch. Pesquisadores encontraram longas filas em supermercados sempre que novas mercadorias chegavam a estes comércios. Os itens mais procurados pelos venezuelanos são arroz, macarrão, farinha, fraldas, pasta de dente e papel higiênico.

"Sem uma pressão internacional forte, especialmente de países da região, o governo de Maduro fracassará em fazer o que é necessário para aliviar essa crise e as dramáticas consequências da crise humanitária que a Venezuela enfrenta podem piorar", afirmou Vivanco.

"O governo venezuelano deve tomar medidas imediatas e urgentes para articular e desenvolver políticas efetivas para lidar com a crise, o que inclui buscar ajuda humanitária internacional. O governo também deve parar de intimidar e punir críticos", completou o relatório. 

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