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Governo venezuelano chantageia imprensa livre, afirma SIP

Chavismo utiliza agência reguladora e empresa que monopoliza venda de papel-jornal para coagir meios, diz entidade

O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2016 | 21h25

MIAMI - A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) afirmou nesta quarta-feira que condena o que classificou como uma “extorsão” praticada pelo governo venezuelano contra meios de comunicação independentes. A entidade denunciou o uso de instâncias oficiais para “coagir” e “pressionar” a imprensa não ligada ao governo de Nicolás Maduro.

Um dos motivos principais da crítica é a concentração da importação e da comercialização de papel-jornal por uma empresa estatal. A Corporação Maneiro, que centraliza todo o processo, foi criada pelo chavismo para controlar o insumo.

Jornais críticos ao governo, como o El Nacional e o  Tal Cual, reclamam constantemente de ter seu acesso ao recurso dificultado como forma de pressão e intimidação. O governo se defende afirmando que as cotas de papel são definidas por critérios estritamente técnicos.

O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, Claudio Paolillo, também afirmou que Maduro tem usado a Conatel, órgão que regula as telecomunicações venezuelanas, para pressionar emissoras de TV.

Essas ações, afirmou Paolillo, são “prova contundente de que não interessam ao governo de Nicolás Maduro a democracia ou os mecanismos internacionais que existem para protegê-la de regimes autoritários”.

Na segunda-feira, a Conatel realizou uma “inspeção técnico-administrativa” na sede da Globovisión. O motivo declarado foi o de que o prazo da concessão da emissora está vencido. Na Venezuela, cerca de 800 emissoras de rádio e TV estão com as concessões de transmissão vencidas, afirmou a SIP.

“É notório que as autoridades venezuelanas usam a ameaça de fechar (as emissoras), sob um verniz de legalidade, todo veículo que critique o governo ou divulgue informação que ele considere lesiva para sua imagem”, afirmou Paolillo.

A Globovisión, assim como a Televén, teriam entrado “na mira” do governo chavista por terem realizado “uma cobertura equilibrada” dos acontecimentos na nova legislatura da Assembleia Nacional, sede do Legislativo venezuelano, dominada desde o início do ano pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática, segundo a avaliação da SIP. / EFE

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