Santi Doanire/EFE
Santi Doanire/EFE

Governo venezuelano dispersa manifestação antichavista em Caracas

Segundo estudante, Guarda Nacional Bolivariana não foi violenta ao encerrar protesto na região leste da capital venezuelana

Luiz Raatz, Enviado Especial / Caracas - O Estado de S. Paulo,

19 de fevereiro de 2014 | 20h46

CARACAS - A Guarda Nacional Bolivariana dispersou na noite desta quarta-feira, 19, em Caracas mais uma manifestação de estudantes contrários ao governo do presidente Nicolás Maduro. Concentrados na Praça Altamira, na zona leste da capital, os manifestantes ergueram barricadas incendiando sacos de lixo para impedir o avanço da guarda, que lançou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Agrupados na Avenida Francisco de Miranda, os estudantes picharam um muro com a frase "Não à ditadura" e quebraram a porta de metal de um estacionamento para usar de escudo contra o avanço dos policiais. Muitos pintaram o rosto de branco, outros escondiam os rostos e portavam coquetéis molotov, além de pedaços de pau.

A morte da miss Turismo do Estado Carabobo em um protesto em Valência, assim como a prisão do líder opositor Leopoldo López motivou parte dos manifestantes a continuar nas ruas. "A miss morreu com um tiro na cabeça. Todos os mortos tinham tiro na cabeça. Isso é sinal de que estamos sendo executados pelo governo" disse ao Estado o estudante de propaganda Victor Morales, de 21 anos.

Aluna de Direito da Universidade Católica Andrés Bello, Yohana de la Torre, disse protestar contra a escassez de produtos básicos provocada pela grave crise cambial do país. "Não temos água nem leite e passamos horas na fila para comprar comida", afirmou.

Segundo a estudante, a Guarda Nacional dispersou os manifestantes sem que houvesse qualquer sinal de violência por parte deles.

Diálogo

Roy Chaderton, embaixador venezuelano na Organização dos Estados Americanos (OEA), declarou que a Venezuela permanece aberta ao diálogo "com o setor democrático da oposição". Mais cedo, a embaixadora dos EUA Carmen Lomellin disse que o governo venezuelano estava "obrigado" a proteger os direitos de expressão e de livre associação, assim como a segurança dos cidadãos. O ministro canadense de Relações Exteriores, John Baird, reforçou a fala ao destacar a importância dos respeito a esses mesmos direitos.

As declarações de representantes dos EUA e do Canadá foram feitas durante a reunião do Conselho Permanente da OEA. Apesar das discussões sobre a Venezuela não estarem inicialmente na agenda de discussões, os EUA incluíram o tema sob "outros assuntos". / Com AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.