AP Photo/Francisco Seco
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Governo venezuelano e oposição anunciam que continuarão mobilizados

Em entrevista ao canal de televisão privado Televén, Diodado Cabello - número 2 do chavismo - afirmou que o governo 'continuará mobilizando sua gente'; já o representante da oposição, Jesús Torrealba, reforçou convocações para manifestações nos dia 7 e 14

O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2016 | 10h29

CARACAS - O governo da Venezuela e a oposição anunciaram novas mobilizações de ruas sobre a ativação de um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, após uma semana marcada por manifestações em Caracas. "Vamos continuar mobilizando a nossa gente", declarou neste domingo o líder chavista Diosdado Cabello, em entrevista ao canal de televisão privado Televén.

"O referendo revogatório não tem a menor possibilidade de ser este ano. Se acontecer, será em março", disse Cabello sobre a consulta, que a oposição exige que seja realizada em 2016. O governo rejeita tal cenário, alegando que os trâmites foram iniciados tardiamente. 

O tempo é um fator crucial para a oposição. Se a consulta for realizada antes de 10 de janeiro de 2017 e o governo perder, haverá novas eleições presidenciais. Se o referendo acontecer após essa data e os venezuelanos votarem pela saída de Maduro, ele será substituído pelo seu vice-presidente.

Cabello ratificou, ainda, as acusações sobre supostos planos da oposição para gerar violência e justificar, assim, um golpe de Estado contra o governo de Maduro.

Para pedir ao poder eleitoral que agilize o processo do revogatório, a oposição realizou uma enorme marcha na quinta-feira em Caracas, que segundo seus organizadores reuniu mais de um milhão de pessoas, embora o chavismo afirme que não havia mais do que 30 mil presentes. Maduro, em resposta, liderou uma grande marcha paralela em direção ao centro de Caracas.

 "Quem vem é o povo mobilizado em paz e pela paz, exigindo seu direito de votar", declarou neste domingo Jesús Torrealba, secretário-executivo da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), também em entrevista à Televén.

Torrealba reafirmou a convocação para novas manifestações, nos dias 7 e 14 de setembro, para pedir ao poder eleitoral a data definitiva e as condições para a coleta das quatro milhões de assinaturas necessárias para ativar o referendo.

Se o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não oferecer respostas, "protestaremos de uma maneira enérgica em toda a Venezuela", advertiu o porta-voz.

Neste domingo, três dias após a enorme manifestação da oposição em Caracas, milhares de venezuelanos marcharam pelas ruas de Madri em apoio ao referendo revogatório. Ao grito de "Venezuela, referendo! Maduro, fora!", o protesto reuniu cerca de 3 mil pessoas, segundo a polícia, e 4,5 mil, de acordo com os organizadores. / AFP

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