Miraflores Palace/Handout via REUTERS
Miraflores Palace/Handout via REUTERS

Enviado de Obama chega à Venezuela para acompanhar diálogo entre chavismo e oposição

Em comunicado conjunto após o fim da primeira reunião de diálogo formal entre as partes, mediado pelo Vaticano, ficou estabelecida a implementação imediata das mesas que discutirão 'respeito de soberania, reparação de vítimas, cronograma eleitoral e situação econômica do país'; novo encontro deve ocorrer em 11 de novembro

O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2016 | 09h18

Em meio ao avanço do diálogo entre o chavismo e a oposição venezuelana, respaldado pelo Vaticano, o subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos Políticos, Thomas Shannon, viajou nesta segunda-feira, 31, para Caracas para mostrar o apoio de Washington às negociações. Ele deve ficar no país até a quarta-feira. 

“Sua visita sublinhará nosso apoio ao processo de diálogo em curso e nosso interesse no bem-estar do povo venezuelano”, informou em nota o Departamento de Estado. Shannon viajou em junho a Caracas, onde se reuniu com membros da oposição e o presidente Nicolás Maduro, em um esforço por reativar o diálogo bilateral e superar as tensões na relação entre EUA e Venezuela. 

A primeira reunião de diálogo formal entre o governo venezuelano e a oposição terminou hoje com a decisão de criar imediatamente quatro mesas de trabalho sobre o respeito à soberania, a reparação às vítimas, o cronograma eleitoral e a situação econômica do país.

Os dois lados, que durante anos têm realizado conversas gerando poucos resultados concretos, irão se encontrar novamente em 11 de novembro, de acordo com a coalizão de oposição Unidade Democrática.

“Estamos aqui para defender o povo venezuelano, defender o direito do povo em deixar esta crise através de meios pacíficos”, disse a coalizão após o encontro, que se estendeu da noite de domingo até o início desta segunda-feira.

O encontro teve participação de um enviado do Vaticano, que ajudou a levar os dois lados à mesa. Um enviado papal disse que o papa Francisco está seguindo de perto a situação e espera que o processo seja pacífico.

Adversários acusam Maduro de criar uma ditadura ao bloquear um referendo revogatório sobre seu governo e de sobrepor ilegalmente o Legislativo, que passou a ser controlado pela oposição após uma eleição no ano passado.

A oposição insiste que o governo permita um referendo revogatório sobre o governo de Maduro, liberte dezenas de ativistas da oposição presos e respeite decisões do Congresso.

Maduro, que luta para controlar a escassez de bens e a alta dos preços, diz ser vítima de conspirações da oposição para derrubá-lo e de uma "guerra econômica" liderada por empresários com apoio do governo do presidente americano, Barack Obama.

Ausência. O governo da Venezuela e seus principais opositores iniciaram no domingo, em Caracas, um diálogo para tentar resolver a crise do país, com a ausência do partido Voluntad Popular (VP) - fundado pelo líder opositor Leopoldo López.

A mesa para o diálogo se constitui com a presença do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, uma delegação de seu governo e cinco representantes da aliança antichavista Mesa da Unidade Democrática (MUD), acompanhados pelos mediadores da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Vaticano.

Maduro, que estendeu a mão a seus opositores, se comprometeu com este processo para tentar aliviar a crise do país. "Quero manifestar perante o representante do papa Francisco, como o fiz há poucos dias em Roma, meu agradecimento e compromisso absoluto como presidente da República e líder do Movimento Bolivariano e Revolucionário da Venezuela com este processo de diálogo", afirmou Maduro. Além disso, o presidente afirmou que vai ao diálogo "disposto a escutar e espera ser escutado", para "buscar pontos de encontro em função dos interesses das grandes maiorias".

O representante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Jorge Rodríguez, destacou à imprensa que “hoje está nascendo uma possibilidade certa de que a paz se imponha para sempre sobre a violência”. Rodríguez também expressou que o governo se compromete a fazer com que este processo “tenha resultados certeiros e rápidos”.

Mas o secretário-executivo da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, anunciou que, de modo paralelo ao diálogo, a oposição vai manter a estratégia contra o governo, que combina protestos nas ruas e a declaração de Maduro em “abandono de cargo” por parte do Parlamento, de maioria opositora./ REUTERS, AFP e EFE

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