REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Governo venezuelano expropria duas padarias em Caracas em resposta à ‘guerra do pão’

Superintendente para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos justificou a medida ao acusar os estabelecimentos de cobrar pela baguete mais do que foi determinado

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2017 | 11h59

CARACAS - Depois de tentar culpar pela crise o governo americano, os donos de farmácias e os empresários de supermercados, o chavismo encontrou um novo alvo. 

O governo venezuelano expropriou duas padarias em Caracas e prendeu quatro padeiros esta semana em resposta ao que chama de “guerra do pão”, um suposto complô para induzir a escassez do produto e desestabilizar o presidente Nicolás Maduro. 

Há dois dias, centenas de policiais, militares e procuradores saíram para inspecionar mais de 700 padarias em Caracas e garantir a aplicação de uma lei segundo a qual 90% do trigo que os padeiros compram do governo - que monopoliza com um duro controle de câmbio as divisas para importação de alimentos e insumos - deve ser destinado à produção dos pães comuns, em vez de pães e doces mais caros.

Trata-se da manobra mais recente do governo para combater a escassez de produtos básicos e as longas filas que caracterizam a crise econômica venezuelana nos últimos três anos. Os estabelecimentos tomados passarão para as mãos dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (Clap), grupos comuns que distribuem alimentos a preços acessíveis em zonas populares, informou em entrevista divulgada na quinta-feira o superintendente para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos, William Contreras.

Ele justificou a expropriação ao acusar os donos de cobrar pela baguete um preço acima do estabelecido pelo governo, segundo seu peso. “Eles têm uma produção contínua, mas qual é a novidade? Que a baguete deve pesar 180 gramas. Esses senhores as produzem com 140 gramas e cobram por 180”, afirmou.

A operação, segundo Contreras, prendeu quatro padeiros que fabricavam brownies e outros doces e pães. “Eles vão pagar, juro. Os responsáveis pela guerra do pão vão pagar e depois não vão dizer que é uma perseguição política”, advertiu Maduro, em seu programa no domingo, quando anunciou que haveria expropriações e detenções na “guerra dos pães”.

 

O governista Partido Socialista Unido da Venezuela diz que empresários simpáticos à oposição sabotam a economia do país estocando produtos e aumentando preços. Críticos afirmam que o governo é o responsável por persistir com políticas de preços e controles cambiais ineficazes. Já os padeiros culpam o governo por uma escassez nacional de trigo, dizendo que 80% dos estabelecimentos não têm mais o produto.

O último preço fixado para o pão era de 250 bolívares (US$ 0,35 na taxa oficial mais alta). Mas nas ruas o preço pode chegar a até 900 bolívares (US$ 1,20). O governo tem em vigência um controle de preços para alimentos básicos. / AFP

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