EFE/Cristian Hernández
EFE/Cristian Hernández

Governo venezuelano liberta 20 presos políticos

Segundo ONG Foro Penal Venezuelano, eles foram soltos com medidas restritivas e não podem deixar a Venezuela

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 20h27

CARACAS - As autoridades da Venezuela libertaram nesta sexta-feira, com medidas restritivas, 20 presos políticos, de acordo com a ONG Foro Penal Venezuelano (FPV), que pediu liberdade para todos os opositores encarcerados.

A advogada e integrante da ONG, Laura Valbuena, informou pelo Twitter que eles foram liberados com medidas restritivas, com “obrigação de apresentação, proibição de saída do país e proibição de comparecer a manifestações públicas”.

O diretor do Foro Penal Venezuelano, Alfredo Romero, explicou que as libertações ocorreram no Estado de Zulia (noroeste da Venezuela) e afirmou que os 20 presos políticos tinham sido detidos em abril por participação em protestos que tinham ligação com os problemas de abastecimento de energia na Venezuela.

“(Os presos libertados) não são das manifestações de 2014, nem das manifestações de 2017. Eles são manifestantes de causas sociais, que passaram a ser presos políticos precisamente porque o objetivo é intimidar e evitar que protestem”, declarou Romero.

Bandeira branca. Segundo ele, 14 detidos foram soltos na manhã de ontem e outros 6, à tarde. Ele também denunciou que, enquanto é anunciada a libertação de alguns, outros continuam sendo detidos. Nesta sexta-feira, por exemplo, ocorreram duas prisões, segundo o FPV. 

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Na quinta-feira, após tomar posse como presidente reeleito, Nicolás Maduro ofereceu a libertação de opositores presos “para superar as feridas deixadas pelas violentas manifestações” dos últimos meses. 

O ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero esteve na semana passada na Venezuela e conseguiu a libertação de 11 diretores do banco Banesco. De acordo com um levantamento do FPV, existem ainda 348 detentos que são considerados “presos políticos” na Venezuela.

Militares presos. Há 70 militares presos na Venezuela por motivos políticos, dos quais 40 foram detidos apenas este ano, disse o Foro Penal Venezuelano, o que demonstraria um racha entre os militares.

O vice-presidente da FPV, Gonzalo Himiob, acrescentou que o governo tem a obrigação de reconhecer que estão ocorrendo prisões e perseguições por razões políticas. 

Romero e Himiob também denunciaram uma sistemática violação por parte do Estado dos direitos dos militares, com a qual o chavismo estaria tentando neutralizar qualquer posição contrária à do governo de Nicolás Maduro.

“Desde janeiro, há perseguição política focada em pessoas que estão dentro do mundo militar ou são apontadas como ligadas aos militares. A intenção é neutralizar qualquer posição dissidente dentro das Forças Armadas”, disse Himiob. O ministro de Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, nega que existam fraturas nas Forças Armadas. / AFP e EFE

 

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