Governo venezuelano rompe com principal aliado

O partido governista Movimento Quinta República (MVR) decidiu hoje romper relações com o Movimento ao Socialismo (MAS), que há mais de dois anos tem sido o principal aliado político do governo do presidente Hugo Chávez ao mesmo tempo que se aproxima da esquerda radical, em busca de condições para levar adiante sua "revolução" bolivariana. Este rompimento político acontece em meio ao clima de incerteza surgido no país depois que Chávez solicitou na semana passada assessoria legal para a possível declaração de um estado de exceção para obter poderes especiais para enfrentar a crise sócio-econômica do país. Chávez disse ontem que "até agora" não se pronunciou sobre a declaração de uma estado de exceção, ao mesmo tempo que descartou a intenção de dar um "autogolpe" para "concentrar mais poder". O ministro do Interior e dirigente do partido governista Luis Miquilena, justificou o rompimento dizendo que os principais dirigentes do MAS fizeram "exigências perversas" ao governo de Chávez que o partido governista não está disposto a aceitar. A posição assumida por alguns dirigentes do MAS, de rejeição à proposta de declaração de estado de exceção, foi o último incidente que resultou na ruptura das relações. Essa ruptura havia sido prevista ontem por Chávez, ao exigir que os dirigentes do MAS definissem se apoiariam seu governo ou passariam para a oposição. O rompimento ocorre pouco depois de Chávez trocar abraços em público com o dirigente esquerdista radical Pablo Medina, secretário-geral do partido Pátria Para Todos (PPT). O mandatário venezuelano estendeu uma ponte em direção a Medina e outros ex-aliados, atualmente distanciados de seu governo, durante um ato no Parlamento em abril passado, quando anunciou o relançamento do Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200). Esse movimento deu origem à carreira política de Chávez em 1981 e estava integrado por militares e civis que posteriormente o acompanharam na tentativa de golpe de 1992. Anos mais tarde, o atual mandatário fundo o MVR para postular-se à presidência. No entanto, ele indicou que pretende relançar em dezembro próximo o MBR-200, que teria como missão aglutinar e "ideologizar o povo venezuelano" e dar sustentação popular à "revolução bolivariana". Já o MAS é, por enquanto, a terceira força política na Assembléia Nacional - onde conta com 21 cadeiras, entre as quais a da vice-presidência do Congresso. Aliou-se ao MVR em 1998, para conduzir Chávez à presidência em dezembro daquele ano. Por sua vez, o MVR e os pequenos partidos a ele aliados controlam atualmente 85 dos 165 assentos do Congresso.

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