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Governo venezuelano tinha US$ 12 bi na Suíça

Ao todo, clientes da Venezuela possuíam US$ 14,8 bi em banco investigado por acobertar operações ilegais

CARACAS, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2015 | 02h02

A Venezuela esteve entre os principais clientes do braço suíço do banco HSBC - que, segundo documentos da filial da instituição financeira revelados no domingo, ajudou a proteger seus correntistas de investigações e pagamentos de impostos. O governo venezuelano depositou mais de US$ 12 bilhões no HSBC de Genebra entre 2005 e 2007, ainda durante o governo de Hugo Chávez.

No total, clientes da Venezuela tinham US$ 14,8 bilhões depositados no banco suíço, de acordo com informações reveladas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. O montante fazia dos venezuelanos os terceiros maiores clientes do HSBC suíço.

"Quase 85% desses fundos saíram do governo venezuelano e, em especial, de duas instituições: o Tesouro Nacional e o Banco do Tesouro", afirmou a reportagem dos jornalistas Joseph Poliszuk e Emilia Díaz-Struck, do site Armando.info, que conduziram a investigação na Venezuela.

Os repórteres descobriram que Rodolfo Marco Torres - diretor do Banco do Tesouro venezuelano na época e hoje ministro das Finanças e vice-presidente do Conselho de Ministros para Planificação e Conhecimento - era o responsável direto por uma das contas do governo venezuelano, que foi aberta em outubro de 2005.

"Dois meses depois, o Escritório Nacional do Tesouro também iniciou operações em Genebra", revelaram os repórteres. Outra autoridade venezuelana ligada às contas é Alejandro Andrade, que começou a trabalhar para o governo venezuelano como guarda-costas de Chávez e chegou a tesoureiro nacional - cargo que deixou em 2010; atualmente, ele viveria nos Estados Unidos.

Poliszuk disse ao Estado que nas fichas dos venezuelanos não havia recomendações para que os clientes abrissem contas em paraísos fiscais para ocultar a origem do dinheiro, conforme o HSBC suíço recomendou a outros correntistas. "Mas pudemos documentar que o Estado venezuelano tinha duas contas que somam mais de US$ 12 bilhões. Ficou demonstrado que a Venezuela era cliente VIP desse banco, o principal credor". / AP, COM GUILHERME RUSSO

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