Governo zimbabuano alerta oposição por declaração de vitória

Administração do ditador Mugabe avisa que cantar triunfo eleitoral será considerado golpe de Estado

MacDonald Dzirutwe, Reuters

30 de março de 2008 | 15h04

A oposição do Zimbábue disse neste domingo, 30, que venceu as eleições mais cruciais desde a independência, mas o governo do presidente Robert Mugabe alertou que reivindicações prematuras seriam consideradas como tentativa de golpe.   Veja também:   . Oposição diz que lidera a votação no Zimbábue Tendai Biti, secretário-geral do principal partido de oposição, o MDC, disse na madrugada de sábado a diplomatas e observadores que os primeiros resultados mostraram que eles eram os vitoriosos. "Ganhamos esta eleição", disse ele. Segundo ele, as projeções feitas com 12% dos votos apurados mostravam a vitória do líder do MDC, Morgan Tsvangirai, com 67% dos votos. Autoridades disseram que começariam a anunciar os resultados das eleições presidenciais, parlamentares e municipais no domingo. A votação terminou às 19h de sábado, no horário local. Biti disse depois que o MDC estava preocupado com o atraso no anúncio dos resultados, que costuma começar a ser feito assim que as zonas eleitorais fecham. "Sabemos que os resultados já são definitivos na maioria dos distritos eleitorais, mas eles estão, deliberadamente, levando mais tempo para anunciar (os resultados)... A idéia central de fazer uma eleição é saber o resultado." George Chiweshe, chefe da Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, na sigla em inglês), teve de ser resgatado por seguranças em um hotel de Harare ao ser confrontado por jornalistas e seguidores da oposição que exigiam a publicação dos resultados. As forças de segurança do Zimbábue, que demonstraram forte apoio a Mugabe, disseram antes das eleições que não permitiriam uma declaração de vitória antes que a contagem dos votos estivesse completa. O porta-voz do governo George Charamba também alertou a oposição contra esse tipo de reivindicação. "É um golpe de Estado e todos sabemos como os golpes são feitos", disse ele ao Sunday Mail, um jornal estatal. (Reportagem adicional de Cris Chinaka, Stella Mapenzauswa, Nelson Banya e Muchena Zigomo)

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