Governos da AL indicarão nome à sucessão de Bustani

Os governos da América Latina apresentarão um candidato para substituir o embaixador brasileiro José Maurício Bustani no cargo de diretor da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq). Em uma reunião realizada hoje em Haia, os países latino-americanos chegaram a um acordo sobre a apresentação de um candidato único da região. Apesar do nome ainda não ter sido selecionado, a única certeza é de que o escolhido para concorrer à vaga de Bustani não será outro brasileiro. Na segunda-feira passada, Bustani foi afastado da Opaq depois de uma votação em que 48 países optaram pela sua saída, enquanto apenas sete apoiaram o brasileiro. Os Estados Unidos, artífices da queda de Bustani, acusavam o brasileiro de ter levado a Opaq ao caos financeiro. Mas em Haia, ninguém escondia que o real motivo era a relutância de Bustani de aceitar ordens da Casa Branca. A decisão sobre o substituto do brasileiro deverá sair em um mês e, como Bustani teria ainda três anos de mandato à frente da Opaq, a vaga ficaria, em tese, para a América Latina. Mas diante dos acontecimentos dos últimos meses, tudo parece possível em Haia. Na semana passada, em uma reunião realizada de forma secreta pelos diplomatas norte-americanos com seus funcionários da Opaq, os representantes de Washington revelaram que estão em busca de um substituto para Bustani e que não necessariamente seria da América Latina. Os diplomatas que participaram da reunião teriam classificado os países da região como "incompetentes" e que jamais entrariam em acordo sobre um candidato comum para o cargo da Opaq. De fato, o comportamento pouco convencional dos Estados Unidos no caso do afastamento de Bustani está despertando a curiosidade dos parlamentares brasileiros. A Comissão de Relações Exteriores da Câmara deverá convocar Bustani para uma audiência no Congresso para explicar a sua saída da Opaq. No último domingo, a Agência Estado revelou que os norte-americanos estavam dispostos a comprar votos dos países pobres para garantir a saída de Bustani. Hoje, outras acusações surgiram na Opaq: os telefones da direção da entidade estariam grampeados. Outra questão que poderá ser debatida no Congresso foi o comportamento do Itamaraty diante da crise. Na Opaq, o clima é de decepção e frustração. Depois que a votação ocorreu, Bustani não retornou ao seu escritório e coube aos seus funcionários "limparem as gavetas".

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