Governos estão cada vez melhores na luta contra terror

Análise: Peter Apps / Reuters

O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2012 | 03h02

Embora tenham silenciosamente abandonado a expressão "guerra ao terror", os EUA e seus aliados vêm obtendo vários sucessos na luta global contra terroristas islâmicos, muito além do assassinato de Osama bin Laden. O risco de ataques devastadores contra países ocidentais não desapareceu - e poucos acreditam que ele pode um dia ser eliminado. Mas, na década que sucedeu ao 11 de Setembro, muita coisa mudou e as táticas adotadas por governos tornaram bem mais difícil para uma organização do tipo da Al-Qaeda desferir um amplo e complexo ataque terrorista.

A operação que supostamente desbaratou um complô de militantes islâmicos no Iêmen é mais um exemplo dessa mudança. "A vantagem da luta assimétrica que a Al-Qaeda tinha foi embora", afirma Nigel Inkster, que foi vice-diretor do serviço de inteligência da Grã-Bretanha, o MI-6. "Governos, serviços de inteligência, forças policiais e membros do Judiciário aprenderam muito sobre como essas organizações trabalham".

À época em que foi assassinado no Paquistão, Bin Laden já tinha pouco controle sobre os rumos da Al-Qaeda. Com sua antiga liderança dizimada, a organização transformou-se em uma série de franquias operando de forma autônoma em diferentes regiões. Algumas dessas filiais - especialmente a grande Al-Qaeda da Península Arábica, cuja sede é no Iêmen - ainda representam ameaças preocupantes. Mas a maioria dos analistas considera que o movimento, como um todo, é hoje uma sombra do que foi há dez anos.

Peça-chave nessa melhora do combate ao terror é a avançada tecnologia de computação que as agências de inteligência vêm usando. Na era da informação, terroristas deixam para trás um grande rastro de informações digitais e os serviços de espionagem têm ampliado significativamente sua capacidade de analisá-las. "Programas tornaram muito mais fácil entender como funcionam as conexões das redes de militantes", diz Inkster.

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