Juan BARRETO / AFP
Juan BARRETO / AFP

Países europeus reconhecem Guaidó e ampliam isolamento a Maduro

Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Suécia, Dinamarca e Áustria já demonstraram anuência para que líder opositor conduza processo para realização de eleições 'livres, democráticas, com garantias e sem exclusões'

Jamil Chade, Correspondente / Genebra

04 de fevereiro de 2019 | 08h06
Atualizado 04 de fevereiro de 2019 | 22h34

GENEBRA - Países europeus começam a reconhecer Juan Guaidó como presidente da Venezuela, isolando ainda mais o regime de Nicolás Maduro. Na manhã desta segunda-feira, 4, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que "a Espanha reconhece oficialmente a Juan Guaidó como presidente encarregado da Venezuela" e pediu que eleições sejam convocadas. A expectativa é de que outros países do bloco europeu sigam na mesma linha ao longo do dia.

Para Sánchez, as novas eleições precisam ser "livres, democráticas, com garantias e sem exclusões". De acordo com Madri, outros governos europeus se somarão ao consenso ainda nesta segunda. A uma TV espanhola, Maduro rejeitou qualquer ultimato e disse que não deixará o poder. "Não aceito ultimatos de ninguém", insistiu.

A decisão ocorre depois que França, Alemanha, Espanha e Reino Unido deram oito dias para que Maduro convocasse eleições, o que não ocorreu. 

Em Londres, o ministro de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, emitiu um comunicado em que esclarecia sua posição. "Maduro não convocou eleições presidenciais no prazo de oito dias que fixamos", disse. "Assim, o Reino Unido, junto com seus aliados europeus, reconhece agora Juan Guaidó como presidente constitucional interino até que novas eleições sejam realizadas", afirmou. "Esperamos que isso nos leve mais perto a um fim da crise humanitária", completou. 

O mesmo fez a França, por meio de seu ministro de Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian. Paris, porém, insiste que  Guaidó precisa, de forma imediata, iniciar um processo para convocar eleições. "Ele tem a capacidade e a legitimidade para organizar eleições", disse o ministro.

Le Drian insiste que a Europa não aceitará qualquer tipo de intervenção militar e pediu que a crise seja resolvida de uma forma pacífica.

A porta-voz do governo da Alemanha, Martina Fietz, anunciou que Berlim segue os países do continente após o fim do prazo para a convocação de novas eleições, pedindo também que o opositor Guaidó prepare um período de transição para a realização de eleições transparentes. 

Outro governo europeu que deu um passo na mesma direção foi o da Suécia. "Na situação atual, apoiamos e consideramos Guaidó como legítimo presidente interino", disse a chanceler Margot Wallstrom a uma rádio do país. A Dinamarca também reconheceu o líder opositor venezuelano "até que novas e livres e eleições sejam convocadas". A medida também foi seguida pela Áustria.

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Na semana passada, governos europeus tentaram organizar uma posição conjunta em relação ao futuro da Venezuela. Mas apenas quatro países aceitaram anunciar o ultimato. Liderados pela Itália, um segundo bloco que tinha ainda a participação de Áustria e Hungria se mostrava mais hesitante. Roma insistia que não poderia reconhecer a Guaidó sem saber quando novas eleições seriam convocadas

Ainda assim, a esperança é de que haja um reconhecimento do opositor de forma massiva entre os europeus, com um sinal positivo por parte de Holanda, Portugal e Bélgica. / COM INFORMAÇÕES DA AFP

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