Governos precisam reprimir tráfico humano, diz ONU

A globalização ampliou enormemente otráfico humano na última década, e os governos devem agirurgentemente para combater essa atividade, disseramfuncionários da Organização das Nações Unidas (ONU) e ativistasde direitos humanos na terça-feira. Na véspera do primeiro fórum global da ONU sobre o tráficohumano, em Viena, a premiada atriz Emma Thompson disse que éhora de acabar com este mercado bilionário. "Está crescendo muitíssimo", disse Thompson, presidente daFundação Helen Bamber, de direitos humanos. "É a terceira maioreconomia à sombra, após drogas e armas." A ONU diz que cerca de 2,5 milhões de pessoas sãosubmetidas a trabalhos forçados, exploração sexual, casamentosforçados e venda de órgãos. Cerca de 1.200 representantes de governos e ONGs,parlamentares, empresários e vítimas do tráfico, de 116 países,vão debater o problema nos próximos três dias. Eles vão discutir como localizar e impedir pagamentosdessas transações pela Internet, como usar a tecnologia paralocalizar as rotas mais frequentes, como estabelecer redes deapoio às vítimas e como criar um código de conduta para evitaro turismo sexual. O aumento do tráfico de pessoas coincide com uma revoluçãono acesso aos transportes e comunicações instantâneas mundoafora, disse Antonio Maria Costa, diretor-executivo doEscritório da ONU para Drogas e Crime. "Tudo isso facilitou coisas como o comércio e os serviços,[mas] também facilitou o tráfico de seres humanos", disse eleem entrevista coletiva. Um protocolo da ONU contra o tráfico humano, em vigor desde2005, estabelece normas para a repressão, e agora os governosprecisam criar leis e punir os responsáveis, disse ele. "Os governos não vêm fazendo muito. Mas o acordointernacional coloca o ônus sobre os países", explicou. Os organizadores vão defender a ratificação universal doprotocolo da ONU, que já foi assinado por mais de 110 Estados.Também há uma necessidade premente de dados melhores, pois amaioria vem de fontes como reportagens jornalísticas, segundoCosta. De acordo com um recente relatório do departamento chefiadopor ele, a maioria das vítimas é originária de ex-colôniasbritânicas, de países da Europa Central e Oriental, da ÁfricaOcidental e do Sudeste Asiático. A Europa Ocidental, a América do Norte e o Extremo Orientesão os principais destinos das vítimas. Mulheres e meninas são mais suscetíveis a se tornaremvítimas, e a exploração sexual é o abuso mais comum, segundo orelatório.

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