REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Governos pressionam Venezuela a autorizar inspeção da ONU

Países vão denunciar violações aos direitos humanos cometidas no governo Maduro

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2016 | 06h00

Os governos dos EUA, Alemanha, Reino Unido e dezenas de outros países vão pressionar nesta terça-feira em Genebra o governo de Nicolás Maduro a aceitar a inspeção de relatores da ONU diante das violações de direitos humanos. 

Na ONU, Caracas será alvo de uma sabatina no Conselho de Direitos Humanos, exercício criado para que cada país possa ser avaliado pela comunidade internacional. Mas, diante da crise instaurada no governo Maduro, o encontro se transformará em uma troca de acusações. O objetivo dos governos é aumentar a pressão sobre as autoridades venezuelanas. 

Na lista de questionamentos que serão feitos pelo governo americano obtida pelo Estado, a Casa Branca cobrará Maduro para que permita a entrada de inspetores da ONU, tais como o relator para os direitos de ativistas ou de liberdade de expressão. Há cerca de quatro anos nenhum inspetor da ONU tem recebido o sinal verde para entrar no país.

A Holanda também alerta sobre o fato de que o relator da ONU contra a Tortura está sendo impedido de entrar no país, assim como os inspetores de direitos humanos. “Quando é que o governo vai aceitar essas visitas?”, questiona a delegação holandesa, também em documentos obtidos pela reportagem. 

“Quais planos a Venezuela tem de emitir um convite aberto para os relatores da ONU?”, questionará o Reino Unido, uma posição similar à que será adotada pela República Checa e Bélgica. 

Humanitária. Mas os questionamentos também prometem tocar nas questões sociais, um tema que o governo de Caracas esperava usar a ser favor diante das supostas melhorias nos últimos 15 anos. Mas, para a Holanda, Maduro precisa explicar quais medidas pretende adotar para lidar com a falta de alimentos e remédios. “O país está disposto a aceitar ajuda humanitária?”, questiona. 

Os governos da Suécia e Alemanha adotaram posições similares. “No último ano, o povo venezuelano tem sido duramente afetado pela falta de alimentos e remédio”, indicou Berlim, também em perguntas que foram encaminhadas a Caracas e obtidas pelo Estado. Os alemães querem saber quais medidas serão tomadas “sem demora” para garantir o abastecimento.

Maduro ainda será acusado de usar o Poder Judiciário para “intimidar e processar críticos”. “Quais passos a Venezuela dará para garantir a independência do Judiciário?”, questionará a Casa Branca, que também pede o fim das pressões sobre juízes. Os americanos ainda querem “medidas concretas” para que líderes da oposição possam ser eventualmente julgados de maneira justa e denunciam a política do governo de difamar ativistas de direitos humanos.

Diversos países ainda vão alertar sobre violações com relação ao acesso à informação.   “Como é que a Venezuela criará um ambiente que conduza à liberdade de expressão?”, questionará Washington. O mesmo tema será cobrado por México e pela Holanda, que pede “medidas para garantir a independência da imprensa”. 

Para responder, Maduro enviará uma delegação de 70 pessoas, liderada pela chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez.

 

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