Governos tentaram usar DEA para espionar rivais políticos

A agência antidrogas dos EUA (DEA) converteu-se em organização de inteligência global com um alcance que se estende muito além do combate ao narcotráfico e líderes estrangeiros tentaram utilizar as operações de escuta contra adversários políticos, segundo despachos diplomáticos secretos tornados públicos pelo WikiLeaks.

, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2010 | 00h00

As mensagens mostram o esforço de descobrir quais autoridades estrangeiras são realmente controladas pelos chefões das drogas. A DEA tem hoje 87 escritórios em 63 países. Muitos deles se interessaram pelas tecnologias de grampo telefônico.

Segundo os telegramas, o serviço de inteligência da Venezuela jogou contra a DEA, infiltrando suas operações, sabotando equipamentos e contratando um hacker para interceptar e-mails da embaixada americana, segundo os despachos.

Telegramas escritos em fevereiro por diplomatas americanos no Paraguai, por exemplo, descreviam a recusa da DEA a pedidos do governo do país para ajudá-lo a espionar um grupo insurgente conhecido como Exército Popular Paraguaio, ou EPP. O grupo esquerdista, que supostamente mantinha laços com a guerrilha colombiana Farc, havia sequestrado pessoas influentes e estava fazendo uma pequena fortuna com resgates.

Quando diplomatas americanos se recusaram a conceder ao Paraguai acesso ao sistema de grampo telefônico da agência antidrogas, o ministro do Interior, Rafael Filizzola ameaçou fechar o escritório da agência.

No ano passado, a DEA enfrentou uma pressão ainda maior do Panamá, cujo presidente direitista, Ricardo Martinelli, pediu que a agência lhe permitisse usar seu programa de grampo telefônico para espionar inimigos políticos de esquerda que, segundo ele, queriam matá-lo. A recusa provocou tensões que se prolongaram por meses.

Especialistas na região do norte da África estão divididos sobre se, na rota de drogas da América para a Europa, a Al-Qaeda joga um papel significativo. Alguns céticos observam que adicionar "terrorismo" a qualquer caso pode atrair recursos investigativos extras. Com isso, as operações antidrogas têm muitas vezes se aproximado mais de ações de inteligência da guerra contra o terror. / NYT

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