Governos vizinhos temem derrubada de Saddam

O novo primeiro-ministro turco usa o fogo como metáfora para resumir o ponto de vista dos vizinhos do Iraque: compara a guerra contra Bagdá com um incêndio na casa do vizinho, e adverte que as chamas poderiam estender-se até sua própria morada. Embora a maioria das nações que rodeiam o Iraque não seja aliada do líder Saddam Hussein, todas se opõem à guerra e temem que o conflito possa ameaçá-las. O Irã e a aliada da Otan, a Turquia, temem que os curdos iraquianos se aproveitem do caos, possivelmente para formar um novo Estado em suas fronteiras, incentivando as minorias curdas de ambos os países a uma revolta. Irã e Síria - considerados por Washington como patrocinadores do terrorismo - temem entrar na mira de guerra dirigida pelos EUA.Todos os vizinhos do Iraque, incluindo a Jordânia, Arábia Saudita e Kuwait, preocupam-se com que o Iraque possa desmoronar após uma guerra, ameaçando a estabilidade regional.No entanto, para a Turquia, opor-se à guerra significa também irritar Washington e colocar em risco a recuperação de sua economia emergente. Os EUA consideram a Turquia como parte da coalizão formada contra o Iraque, mas o principal general turco, Hilmi Oskok, não pareceu entusiasmado quando tentava pedir aos legisladores que autorizassem a passagem de tropas americanas por seu território. "Nossa opção não foi boa nem má, foi a pior", disse. "Cem por cento do povo está contra a guerra", acrescentou. "Mas - ponderou - a Turquia não é capaz de evitar sozinha o conflito". "Se não participarmos, sofreremos o mesmo dano. No entanto, nossas perdas não serão compensadas e depois não poderemos opinar". Não é esse o apoio que Washington espera do único membro muçulmano da Otan para sua "coalizão de voluntários". "É a coalizão dos subornados e amedrontados", disse Toby Dodge, especialista em Oriente Médio da Universidade de Warwick, na Inglaterra. Os EUA ofereceram à Turquia US$ 15 bilhões em ajuda e empréstimos se o Parlamento permitisse o uso do território turco por tropas americanas. Mas até agora os parlamentares só permitiram o uso do espaço aéreo e o transporte de forças para o norte do Iraque, mas disseram "não" ao uso de bases aéreas ou à possibilidade de aeronves americanas se reabastecerem. De outro lado, o analista político sírio Imad Shuaibi disse que um colapso no Iraque vai se estender a outras partes do mundo árabe. A Síria, como a Turquia, também perderia bilhões de dólares na guerra, sem mencionar seu temor sobre a possibilidade de ser alvo de ataques americanos. A Síria teme que se detenha o abastecimento de petróleo fornecido pelo Iraque, no valor de US$ 1,2 bilhão.Veja o especial :

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