Suliman el-Oteify/AP
Suliman el-Oteify/AP

Grã-Bretanha acredita que EI está envolvido no suposto ataque que derrubou avião no Egito

Na quarta-feira, evidências apontavam para a hipótese de uma bomba ter sido plantada pelo grupo extremista, o que teria causado o acidente que matou todas as 224 pessoas a bordo

O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2015 | 08h54

LONDRES - A Grã-Bretanha afirmou nesta quinta-feira, 5, que há uma significativa possibilidade de que um grupo afiliado ao Estado Islâmico (EI) esteja por trás do suposto ataque a bomba que derrubou um avião russo no Sinai, Egito, no sábado, matando todas as 224 pessoas a bordo.

O primeiro-ministro David Cameron está reunido com o comitê de emergências chamado Cobra para avaliar a situação. Autoridades britânicas acreditam que o exame será concluído ainda hoje. Cameron também se reúne com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, para discutir sobre as investigações.

Questionado sobre se os militantes do EI estariam por trás do desastre, o secretário inglês das Relações Exteriores, Philip Hammond, disse: "O Província do Sinai reivindicou responsabilidade por derrubar a aeronave russa, fizeram isso logo após a queda". "Olhamos todas as informações, incluindo a reivindicação, e concluímos que há uma possibilidade significativa", disse a uma emissora de televisão.

Evidências sugerem que uma bomba plantada pelo grupo extremista é a causa provável da queda do avião russo da Metrojet, nome comercial da empresa Kogalymavia, disseram fontes de segurança norte-americanas e europeias na quarta-feira. 

Hammond ainda afirmou que espera que turistas britânicos voltem de Sharm el-Sheikh a partir de sexta-feira.

Terrorismo. O Egito descartou a hipótese de um ataque terrorista. O ministro de Aviação do país disse que as investigações feitas até agora não indicam que uma explosão tenha derubado a aeronave. O diretor nacional de Inteligência dos EUA, James Clapper, disse há dois dias que não há nenhuma "evidência direta" de terrorismo na catástrofe aérea.

Uma fonte egípcia próxima à investigação disse que uma explosão provavelmente causou a queda do avião russo, mas que ainda não estava claro se foi uma bomba ou problemas técnicos.

“Acredita-se que tenha sido uma explosão, mas não está claro de que tipo. Há um exame da areia no local da queda para tentar determinar se foi uma bomba”, afirmou a fonte egípcia próxima da equipe que investiga as caixas-pretas.

"Há investigações forenses sendo realizadas no local da queda. Isso vai ajudar a determinar a causa, ver se vestígios de explosivos são encontrados.”

O Estado Islâmico, que controla regiões no Iraque e na Síria e combate o Exército egípcio na península do Sinai, afirmou novamente ontem ter derrubado o avião, acrescentando que contaria ao mundo como realizou o ataque.

Em uma gravação de áudio, cuja autenticidade não foi comprovada, o grupo terrorista garantiu que "os soldados do califado anunciaram sua responsabilidade" pela queda da aeronave, "e os que não querem acreditar, que morram de raiva".

"Não somos obrigados a dizer como a derrubamos. Busquem nas caixas-pretas", disse o Wilayat Sina em resposta à rejeição inicial das autoridades e de vários peritos sobre a possibilidade de que o avião teria sido derrubado.

O presidente Sisi tem descrito a militância islâmica como uma ameaça para a existência do mundo árabe e do Ocidente, e já pediu várias vezes um maior esforço global para combater os militantes. 

O ministro de Antiguidades do Egito, Mamdouth Eldamaty disse que a queda do avião “não foi um ato de terror, e sim um acidente”.

Voos. O governo britânico suspendeu na quarta-feira todos os voos de suas companhias para a cidade egípcia de Sharm el-Sheikh após o aumento das suspeitas de que o avião teria sido derrubado por uma bomba.

A medida permitirá que uma equipe de especialistas em aviação, que já está a caminho da cidade egípcia, "avalie as medidas de segurança no aeroporto e identifique qualquer ação que seja necessária". 

A empresa Kogalymavia interrompeu as operações de todas as suas aeronaves A321 até que checagens adicionais sejam concluídas, anunciou a Agência Estatal de Transporte da Rússia. 

Buscas. As equipes de resgate russas darão por concluídos os trabalhos de busca na noite desta quinta-feira, informou o Ministério de Situações de Emergência do país. 

Segundo o chefe das equipes de resgate que trabalham no local do acidente, Alexander Agafónov, nas últimas 24 horas foram encontrados mais de 50 restos mortais, o corpo de mais uma vítima e quatro passaportes russos.

Um representante do Ministério da Saúde destacou que, até o momento, "58 vítimas foram identificadas" visualmente pelas famílias, mas ainda precisam passar por exames de DNA para confirmação. /REUTERS, EFE e ASSOCIATED PRESS

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