Grã-Bretanha acusa Iraque de violar direitos humanos

O governo da Grã-Bretanha divulgou, nesta segunda-feira, um relatório sobre supostos abusos contra os direitos humanos cometidos pelo governo do Iraque, incluindo tortura e estupros. O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, afirmou que o documento é essencial para que "as pessoas compreendam o quanto Saddam Hussein é diabólico." O relatório afirma que o Iraque é "um lugar apavorante para se viver", com a população "amedrontada pela maneira como Saddam se mantém no poder." Organizações de defesa dos direitos humanos criticaram o momento escolhido para a publicação do documento, afirmando que os ministros britânicos estão se aproveitando das questões abordadas no relatório para justificar seus objetivos. Cruel O relatório contém gráficos com informações fornecidas por vítimas que as autoridades britânicas dizem ter encontrado, além de material enviado por serviços de inteligência e organizações de ajuda humanitária no Iraque. O documento dá detalhes dos supostos métodos de tortura que seriam aplicados no Iraque, como olhos arrancados, mãos perfuradas e banhos com ácido. O presidente iraquiano, Saddam Hussein, é acusado de aplicar penas severas como mandar cortar as orelhas e a língua daqueles que falarem mal dele. Segundo o relatório britânico, as mulheres seriam estupradas, torturadas e sumariamente executadas. Prisioneiros de cadeias iraquianas teriam dito que são mantidos em caixas de aço com direito a apenas uma hora por dia de ar e luz. O relatório conclui que o líder iraquiano é cruel e diz: "A marca registrada de seu regime é um desrespeito duro e brutal à vida humana". Prazo A divulgação do documento ocorre seis dias antes do prazo dado ao governo iraquiano para apresentar uma declaração completa sobre suas armas químicas, biológicas e nucleares, sob pena de enfrentar "sérias conseqüências" impostas pela resolução do Conselho de Segurança da ONU. Jack Straw afirmou que "é preciso reforçar" que os abusos dos direitos humanos no Iraque aconteceram no passado e "continuam acontecendo hoje em dia". "Saddam Hussein possui armas de destruição em massa ? armas químicas, biológicas e, provavelmente, nucleares ? que ele usou no passado contra seu próprio povo e seus vizinhos, e que pode usar novamente no futuro", afirmou Straw. "Além disso, há um terror sistemático perpetrado por Saddam diariamente contra seu povo, e que sustenta esse sistema político ultrajante de se concentrar tudo nas mãos de uma só pessoa", disse o ministro britânico. "A única pessoa com que se deve negociar é Saddam, porque todo o resto ? inclusive seu gabinete ? está em pânico", concluiu. Segundo o analista da BBC para assuntos diplomáticos James Robbins, a divulgação do dossiê é um passo do governo britânico para ganhar apoio da opinião pública para uma possível guerra contra o Iraque. Mas o porta-voz do governo britânico, Mark Sedwill, para o Iraque negou a afirmação. "A Grã-Bretanha quer uma saída pacífica para esta situação", afirmou. Manipulação A secretária-geral da Anistia Internacional, Irene Khan, criticou o relatório britânico. "Esse tipo de atenção seletiva nada mais é do que uma manipulação fria e calculista do trabalho de ativistas pelos direitos humanos", afirmou. "Não podemos esquecer que esses mesmos governos fecharam os olhos para relatos da Anistia Internacional sobre uma grande violação dos direitos humanos do Iraque antes da Guerra do Golfo." "Esses governos permaneceram calados quando milhares de curdos civis desarmados foram mortos em Halabja, em 1988", concluiu Khan. Até agora, a equipe de inspetores da ONU no Iraque não encontrou nenhuma evidência de armas que incriminem o país. Leia mais no site da BBC

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.