REUTERS/Ben Stansall
REUTERS/Ben Stansall

Grã-Bretanha anuncia novos planos para combater o extremismo

Dentre as medidas do governo, estão a expansão do poder de apreensão de passaportes de jovens e a proibição de pessoas acusadas de crimes extremistas de trabalharem com crianças

O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2015 | 11h45

LONDRES - O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, deve anunciar nesta segunda-feira, 19, novos planos para combater o extremismo, expandindo o poder do governo de apreender passaportes de jovens sob o risco de viajarem com o objetivo de se unir a grupos como o Estado Islâmico (EI).

As medidas ainda incluem proibir as pessoas acusadas de crimes extremistas de trabalharem com crianças, e a criação de cursos de “desradicalização”. O programa “Estratégia contra o extremismo” tem o objetivo atacar o jihadismo em vários setores da sociedade, como nas universidades e na internet, além de melhorar o trabalho da polícia no combate à ameaça de terrorismo.

As novas medidas representam uma resposta das autoridades à crescente preocupação com o aumento de jovens e famílias inteiras que viajaram para a Síria no último ano para se unirem ao EI.

“Subversivo, bem-organizado e sofisticado em seus métodos, extremistas islâmicos não ameaçam apenas a nossa segurança, mas também colocam em risco tudo o que construímos juntos: nossa bem-sucedida democracia muitirracial e multirreligiosa”, escreveu Cameron em sua página oficial no Facebook.

Como parte da nova estratégia, os pais dos adolescentes menores de 17 anos que suspeitarem que seus filhos possam ser vítimas de extremistas, poderão pedir às autoridades que cancelem estes passaportes. No momento, o governo só pode apreender os documentos dos jovens com menos de 16 anos.

Cerca de 338 pessoas foram detidas entre 2014 e 2015 sob a suspeita de atividades terroristas. “Enfrentamos uma ameaça sem precedentes do extremismo. Grupos como o EI podem transmitir às famílias suas mensagens de ódio através da internet e, assim, vemos que jovens e famílias inteiras viajam à Síria”, disse a ministra do Interior, Theresa May.

Muçulmanos. Organizações muçulmanas rejeitaram a estratégia “Uma Nação” de Cameron, alertando para o risco de alienar os muçulmanos e de ser uma medida contra-produtiva.

O secretário-geral do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, Shuja Shafi, afirmou que a estratégia se baseia em uma concepção “vaga” dos valores britânicos. O conselho apoia os esforços para combater o terrorismo, mas o governo não deve suprimir a liberdade de pensamento ou expressão, disse Shafi.

O Conselho ainda criticou o plano por considerar que pode dar a impressão de que todos os aspectos da vida muçulmana serão vigiados.

“Seja em mesquitas ou em centros educacionais, a estratégia reforçará a percepção de que todos os aspectos da vida muçulmana devem passar por um teste que comprove sua lealdade a este país”, sinalizou Shafi. /ASSOCIATED PRESS, EFE e REUTERS

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